
Vá direto ao ponto!
A ausência de um acompanhante na admissão exige atenção, porque informações importantes sobre o histórico de saúde, os medicamentos em uso e as necessidades do paciente podem não estar disponíveis naquele momento. A assistência não deve ser atrasada por essa ausência: primeiro, avalie a condição clínica e identifique quais informações precisam ser obtidas, respeitando a autonomia e a privacidade do paciente.
A admissão começa pela avaliação
Confirme a identificação do paciente, avalie sinais vitais, nível de consciência, dor, mobilidade e possíveis riscos imediatos. Pergunte sobre alergias, medicamentos de uso contínuo, doenças prévias e contato de referência, conforme as condições de comunicação e compreensão da pessoa. Se o paciente estiver confuso, sonolento ou impossibilitado de fornecer informações, essa limitação deve ser comunicada ao enfermeiro responsável e registrada de forma objetiva.
Imagine um paciente que chega sozinho à unidade e não consegue informar o nome do medicamento que utiliza para controlar a pressão arterial. Em vez de presumir qual seria o tratamento, a equipe deve registrar a informação como não confirmada e buscar dados confiáveis, conforme o fluxo institucional. Essa verificação ajuda a reduzir o risco de erros relacionados à conciliação medicamentosa.
Quando o paciente precisa de apoio
A falta de acompanhante também pode indicar uma necessidade social ou funcional que merece avaliação. Uma pessoa idosa com dificuldade para caminhar, por exemplo, pode chegar sozinha à enfermaria e tentar levantar-se para ir ao banheiro. Nesse caso, devem ser avaliados o risco de queda, a capacidade de realizar atividades básicas e a necessidade de apoio da equipe multiprofissional, sem presumir que a ausência da família significa abandono.
A ausência de acompanhante nem sempre é uma escolha: a pessoa idosa internada ou em observação tem direito a acompanhante, e cabe ao profissional de saúde responsável autorizá-lo ou justificar por escrito a impossibilidade (Estatuto da Pessoa Idosa, art. 16).
Em caso de pessoa idosa, a suspeita ou confirmação de violência deve ser objeto de notificação compulsória e comunicada às autoridades previstas no art. 19 do Estatuto da Pessoa Idosa.
Cuidados de enfermagem
Registre as condições em que o paciente foi admitido, as informações fornecidas, as limitações identificadas e as providências adotadas. Avalie o risco de queda e a necessidade de auxílio nas atividades diárias, mantenha a campainha acessível e explique como solicitar ajuda. Se houver instabilidade clínica, priorize o atendimento imediato.
Ponto essencial: o paciente deve ser acolhido e avaliado com segurança, mesmo quando chega sem acompanhante. A ausência de outra pessoa não substitui a avaliação individual nem deve ser motivo para atrasar os cuidados necessários.
Paciente Admitido sem Acompanhante
- Avalie primeiro a condição clínica e os riscos imediatos
- Confirme histórico, alergias e medicamentos em uso
- Identifique necessidades de apoio e vulnerabilidade
- Registre as informações e providências adotadas
Referências:
- AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Protocolo de segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos. Brasília, DF: Anvisa, 2013. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/servicosdesaude/seguranca-do-paciente.
- BRASIL. Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003. Dispõe sobre o Estatuto da Pessoa Idosa. Brasília, DF: Presidência da República. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.741.htm.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Humanização (HumanizaSUS). Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/humanizasus.
- INSTITUTO PARA PRÁTICAS SEGURAS NO USO DE MEDICAMENTOS (ISMP BRASIL). Boletim ISMP Brasil: conciliação medicamentosa. (S.l): ISMP Brasil, (s.d.). Disponível em: ISMP Brasil: boletim.
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Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva. Une a vivência clínica à inovação digital e criativa, atuando na produção de conteúdos educacionais, ilustração digital e no desenvolvimento web de ferramentas e recursos interativos (PHP, CSS e JavaScript).
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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