
Vá direto ao ponto!
A retirada do tubo pode acontecer em poucos minutos. O cuidado da enfermagem, porém, não termina quando o TOT sai — é justamente aí que começa uma fase em que pequenas alterações podem evoluir rapidamente.
A primeira avaliação é decisiva
Após a extubação, a equipe deve observar imediatamente o padrão respiratório, frequência respiratória, saturação de oxigênio, esforço ventilatório, nível de consciência, presença de estridor, tosse e capacidade de eliminar secreções. A necessidade de oxigênio deve ser ajustada conforme prescrição e resposta clínica, mantendo vigilância contínua.
Em uma situação comum de UTI, o paciente pode inicialmente apresentar uma saturação aceitável, enquanto começa a aumentar o esforço para respirar. Por isso, não é seguro olhar apenas para o número do oxímetro: frequência respiratória, uso de musculatura acessória, fala entrecortada e alteração do nível de consciência ajudam a perceber deterioração antes que a hipoxemia fique evidente. A American Association for Respiratory Care destaca a importância da avaliação clínica e da monitorização após a retirada da ventilação invasiva.
Via aérea, secreções e proteção
A capacidade de proteger a via aérea merece atenção especial. Tosse fraca, acúmulo de secreções, alteração do nível de consciência ou dificuldade para lidar com saliva aumentam o risco de obstrução e broncoaspiração. Também é importante observar sinais de edema ou obstrução de via aérea superior, como estridor e aumento do trabalho respiratório.
Já acompanhei situações em que, logo após a extubação, o paciente parecia confortável no leito, mas começou a apresentar tosse repetitiva e secreção acumulada. A mudança foi percebida durante a observação contínua, antes que a situação evoluísse para uma queda importante da saturação. Nesse momento, posicionamento, estímulo à tosse, aspiração quando indicada e comunicação rápida com a equipe fazem diferença.
Nem todo desconforto é esperado
Rouquidão e dor de garganta podem ocorrer após a intubação, mas sinais como estridor, retração, taquipneia progressiva, cianose, queda persistente da saturação ou alteração do nível de consciência exigem avaliação imediata. O paciente também precisa ser acompanhado quanto à possibilidade de falha da extubação e necessidade de suporte ventilatório.
Em outra situação típica de plantão, um paciente extubado começou a ficar agitado e aumentar gradualmente a frequência respiratória. A primeira impressão poderia ser apenas ansiedade, porém a avaliação mostrou aumento do esforço respiratório. A observação do conjunto — e não de um único parâmetro — permitiu comunicar a alteração precocemente à equipe médica. Diretrizes sobre liberação da ventilação mecânica reforçam a necessidade de monitoramento próximo após a extubação, especialmente nas primeiras horas.
Cuidados de enfermagem
Após a extubação, a enfermagem deve manter vigilância do padrão respiratório e da saturação, observar nível de consciência, tosse e secreções, manter cabeceira elevada quando não houver contraindicação, verificar dispositivos de oxigenoterapia e manter materiais para manejo da via aérea disponíveis conforme protocolo institucional.
A oferta de líquidos ou alimentos também não deve ser liberada automaticamente. A segurança para iniciar a via oral depende da avaliação clínica e, quando indicada, da avaliação da deglutição, principalmente em pacientes com risco de disfagia ou broncoaspiração.
O registro deve contemplar as condições respiratórias, suporte de oxigênio utilizado, resposta após a extubação, presença de secreções, intercorrências e condutas realizadas. O acompanhamento próximo é parte do próprio processo de extubação segura, não uma etapa opcional depois que o tubo foi retirado.
Cuidados Pós-Extubação
- Monitorar padrão respiratório e saturação
- Avaliar tosse, secreções e proteção da via aérea
- Observar sinais de desconforto e falha da extubação
- Registrar evolução e resposta após a retirada do tubo
Referências:
- ROBERTS, Karsten J.; GOODFELLOW, Lynda T.; BATTEY-MUSE, Corinne M. et al. AARC Clinical Practice Guideline: Spontaneous Breathing Trials for Liberation From Adult Mechanical Ventilation. Respiratory Care, v. 69, n. 7, p. 891-901, jul. 2024. DOI: 10.4187/respcare.11735. Disponível em: AARC Guideline — Spontaneous Breathing Trials for Liberation.
- ALQAHTANI, Jaber S. et al. Independent Risk Factors of Failed Extubation among Adult Critically Ill Patients: A Prospective Observational Study from Saudi Arabia. Saudi Journal of Medicine and Medical Sciences, v. 12, n. 3, p. 216-222, jul./set. 2024. DOI: 10.4103/sjmms.sjmms_19_24. Disponível em: PubMed — Risk Factors of Failed Extubation.
- OUELLETTE, Daniel R. et al. Liberation From Mechanical Ventilation in Critically Ill Adults: An Official American College of Chest Physicians/American Thoracic Society Clinical Practice Guideline. Chest, v. 151, n. 1, p. 166-180, jan. 2017. DOI: 10.1016/j.chest.2016.10.036. Disponível em: ATS/CHEST Guideline — Liberation from Mechanical Ventilation.
Escala MANE: A Precisão na Avaliação da Náusea e do Vômito em Oncologia
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Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva. Une a vivência clínica à inovação digital e criativa, atuando na produção de conteúdos educacionais, ilustração digital e no desenvolvimento web de ferramentas e recursos interativos (PHP, CSS e JavaScript).
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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