Classificação de Robson: Aprenda os 10 Grupos

Classificação de Robson

🔄
Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 08/10/2026.

Quando uma maternidade apresenta uma taxa elevada de cesáreas, saber apenas o percentual não explica onde está concentrado o problema. É justamente aí que entra a Classificação de Robson: ela organiza todas as gestantes em 10 grupos obstétricos para mostrar quais grupos estão contribuindo para o resultado.

Como funciona a Classificação de Robson?

Também chamada de Classificação dos 10 Grupos, a metodologia foi proposta por Michael Robson e adotada pela Organização Mundial da Saúde como padrão para monitorar e comparar taxas de cesárea.

A classificação utiliza cinco características: paridade e cesárea anterior, início do trabalho de parto, idade gestacional, apresentação fetal e número de fetos. Cada gestante deve pertencer a apenas um grupo.

Um ponto importante para prova e para a prática: a indicação da cesárea não é um dos critérios que define o grupo. O sistema primeiro classifica a mulher pelas características obstétricas e depois permite analisar quantos partos vaginais e cesáreas ocorreram dentro de cada grupo.

Os 10 grupos de Robson

  • Grupo 1: nulípara, gestação única, feto em apresentação cefálica, idade gestacional ≥37 semanas e trabalho de parto espontâneo.
  • Grupo 2: nulípara, gestação única, cefálica, ≥37 semanas, com trabalho de parto induzido ou cesárea realizada antes do início do trabalho de parto.
  • Grupo 3: multípara, sem cesárea anterior, gestação única, cefálica, ≥37 semanas e trabalho de parto espontâneo.
  • Grupo 4: multípara, sem cesárea anterior, gestação única, cefálica, ≥37 semanas, com trabalho de parto induzido ou cesárea antes do trabalho de parto.
  • Grupo 5: multípara com pelo menos uma cesárea anterior, gestação única, cefálica e ≥37 semanas.
  • Grupo 6: todas as nulíparas com gestação única em apresentação pélvica.
  • Grupo 7: todas as multíparas com gestação única em apresentação pélvica, incluindo aquelas com cesárea anterior.
  • Grupo 8: todas as gestações múltiplas, independentemente de haver cesárea anterior.
  • Grupo 9: todas as gestações únicas com apresentação transversa ou oblíqua, independentemente de cesárea anterior.
  • Grupo 10: todas as gestações únicas, cefálicas e com idade gestacional <37 semanas, incluindo aquelas com cesárea anterior.

Classificação de Robson

Uma forma simples de raciocinar

Imagine uma gestante nulípara, com feto único em apresentação cefálica, 39 semanas, que entrou espontaneamente em trabalho de parto. Grupo 1.

Agora, se a mesma gestante tivesse o trabalho de parto induzido, passaria para o Grupo 2.

Essa lógica ajuda a perceber por que não basta decorar os números. É preciso olhar primeiro para paridade, cesárea anterior, apresentação, número de fetos, idade gestacional e início do trabalho de parto.

O grupo 5 merece atenção

O Grupo 5, formado por multíparas com pelo menos uma cesárea anterior, é especialmente relevante nas análises de cesáreas porque uma cesárea pode influenciar o padrão de partos futuros. Estudos recentes mostram que esse grupo pode representar uma parcela importante das cesáreas em diferentes contextos.

Na prática obstétrica, basta observar uma paciente com uma cesárea anterior para perceber como essa informação muda o raciocínio assistencial. Ela não deve ser automaticamente colocada no Grupo 5 sem verificar os demais critérios: é necessário confirmar que se trata de gestação única, cefálica e ≥37 semanas. Se a gestação for pré-termo, por exemplo, a classificação muda para o Grupo 10.

Para que serve?

A Classificação de Robson não foi criada para dizer que determinada gestante “deve” ou “não deve” realizar cesárea. Ela serve principalmente para auditar e comparar os padrões de parto.

Ao analisar cada grupo, a maternidade consegue observar:

  • tamanho de cada grupo;
  • número e proporção de cesáreas;
  • taxa de cesárea dentro de cada grupo;
  • contribuição de cada grupo para a taxa global de cesáreas.

Isso permite identificar onde estão concentradas as cesáreas e direcionar discussões sobre práticas assistenciais e qualidade do cuidado.

Um cenário bastante comum em uma auditoria é descobrir que a taxa geral de cesáreas é alta, mas o maior impacto vem de poucos grupos. Olhar apenas o percentual total esconderia essa diferença; separar os nascimentos por Robson mostra onde a equipe precisa investigar protocolos, indicação e organização da assistência.

O que a classificação não consegue explicar

A Classificação de Robson é uma ferramenta de monitoramento, não uma avaliação completa da qualidade obstétrica. Ela não incorpora, por si só, todas as indicações clínicas, condições maternas, preferências da paciente, contexto institucional ou características específicas de cada caso.

Por isso, uma taxa elevada em determinado grupo não significa automaticamente que todas aquelas cesáreas foram desnecessárias. A análise precisa ser complementada por informações clínicas e pela revisão das indicações. Problemas de registro ou classificação incorreta também podem comprometer os resultados.

Cuidados de enfermagem

Na enfermagem, a qualidade do dado começa no registro. Informações como paridade, cesárea anterior, idade gestacional, apresentação fetal, número de fetos e início do trabalho de parto precisam estar corretamente documentadas.

Durante a assistência, confira se os dados registrados no prontuário são coerentes com a evolução obstétrica e comunique inconsistências. Uma informação incorreta pode colocar a gestante no grupo errado e comprometer não apenas aquele prontuário, mas também os indicadores utilizados pela maternidade.

A equipe também pode utilizar a classificação para compreender os indicadores do próprio serviço, participando de discussões de qualidade e segurança sem transformar o número de Robson em julgamento isolado de uma conduta clínica.

Para memorizar os 10 grupos

Uma sequência útil é:

  • 1 e 2: nulíparas cefálicas ≥37 semanas.
  • 3 e 4: multíparas sem cesárea anterior, cefálicas ≥37 semanas.
  • 5: multíparas com cesárea anterior, cefálica ≥37 semanas.
  • 6 e 7: apresentação pélvica, separando nulíparas e multíparas.
  • 8: gestação múltipla.
  • 9: apresentação transversa ou oblíqua.
  • 10: gestação única, cefálica e pré-termo.

Essa organização é mais segura do que memorizar os grupos como uma lista solta, porque mostra a lógica que leva de uma característica obstétrica à outra.

Resumo para salvar

Classificação de Robson: Aprenda os 10 Grupos

  • A classificação organiza gestantes em 10 grupos obstétricos
  • Cinco características definem o grupo de Robson
  • O Grupo 5 reúne multíparas com cesárea anterior
  • A classificação ajuda a analisar taxas de cesárea

Referências:

  1. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Robson Classification: Implementation Manual. Geneva: WHO, 2017. Manual oficial da OMS sobre a Classificação de Robson.
  2. WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO statement on caesarean section rates. Geneva: WHO. OMS — Classificação de Robson e taxas de cesárea.
  3. FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Classificação de Robson é tema do ApiceON. Rio de Janeiro: Fiocruz. Fiocruz — Os 10 grupos de Robson.
  4. BRASIL. Classificação de Robson. Brasília, DF: Ministério da Saúde. BVS Ministério da Saúde — Classificação de Robson.
  5. EL RADAF, Viktoria et al. Robson ten group classification system for Caesarean sections across Europe: a systematic review and meta-analysis. European Journal of Obstetrics & Gynecology and Reproductive Biology, v. 305, p. 178-198, 2025. PubMed — Revisão sistemática de 2025.

Sulfato de Magnésio: 10% e 50%

O sulfato de magnésio serve para a reposição dos níveis de magnésio, sendo um dos eletrólitos do corpo. Ou seja, são minerais que liberam uma carga elétrica quando dissolvidos no sangue. Mas a maioria do magnésio no corpo é interligada às proteínas ou armazenada nos ossos.

O mineral do magnésio pode ser encontrado em diversos alimentos, como sementes, amendoim e leite, desempenhando várias funções no organismo, como regular o funcionamento dos nervos e dos músculos, além de ajudar no controle do açúcar no sangue.

Precisamos de uma quantidade diária mínima e, em caso de deficiência, o médico pode recomendar a reposição. A quantidade é definida de acordo com gênero e idade, e caso isso não ocorra da maneira correta, podem surgir alguns problemas, como a hipomagnesemia, hipocalcemia e hipocalemia.

Sulfato de Magnésio 10% e 50%

O sulfato de magnésio a 10% é utilizado em diferentes situações, e sua administração ocorre por via intravenosa. Aqui estão algumas indicações específicas para o uso desse medicamento:

  1. Administração:
    • Via Intravenosa Direta: A velocidade de injeção recomendada é de 150 mg/minuto.
    • Infusão Intravenosa: Pode ser administrado como parte de uma infusão intravenosa.

Indicações:

  • Toxemia Gravídica (Eclâmpsia):
      • O sulfato de magnésio a 10% é utilizado estritamente se necessário e sob supervisão médica.
      • O sulfato de magnésio é a principal medicação tanto para a prevenção quanto para o tratamento da eclâmpsia.
  • Hipomagnesemia leve e moderada:
      • O sulfato de magnésio pode ser utilizado para tratar casos de hipomagnesemia leve a moderada.
  • Restaurador de deficiência leve e moderada de eletrólito: O sulfato de magnésio é utilizado como restaurador de eletrólitos em casos de deficiência leve e moderada.

O sulfato de magnésio 50% é um medicamento utilizado para diversas finalidades. Pode ser administrada tanto quanto via intramuscular e intravenosa:

  • Tratamento de hipomagnesemia: Isso ocorre quando há uma baixa quantidade severa de magnésio no sangue. O sulfato de magnésio ajuda a corrigir essa deficiência severa.
  • Uremia aguda: O sulfato de magnésio pode ser usado para controlar convulsões em pacientes com uremia aguda.
  • Eclâmpsia: É uma condição grave que ocorre durante a gravidez, e o sulfato de magnésio pode ajudar a prevenir ou tratar convulsões eclâmpticas.
  • Tétano: O medicamento também é usado para controlar convulsões em pacientes com tétano.
  • Hipomagnesemia severa: O sulfato de magnésio pode ser utilizado para tratar casos de hipomagnesemia severa.
  • Restaurador de deficiência severa de eletrólito: O sulfato de magnésio é utilizado como restaurador de eletrólitos em casos de deficiência severa.

O magnésio é essencial para várias funções no corpo, incluindo atividade enzimática, transmissões neuroquímicas e excitabilidade muscular. O sulfato de magnésio ajuda a corrigir deficiências e a manter essas funções adequadas.

Referências:

  1. Bula Sulfato de Magnésio
  2. Medicinanet
  3. Bulasmed (MgSo4 10%)
  4. Bulasmed (MgSo4 50%)
  5. UFRJ
  6. Hospital Albert Einstein
  7. Hospitalar Distribuidora

Indicações da Glicose

A reposição de glicose como medicamento é uma medida fundamental para tratar casos de hipoglicemia, ou seja, a baixa concentração de açúcar no sangue.

A hipoglicemia pode causar sintomas como tremores, suor frio, tontura, confusão mental e até mesmo coma.

A glicose é a principal fonte de energia para as células do corpo, especialmente as do cérebro.

Por isso, quando há uma queda brusca nos níveis de glicose, o organismo entra em estado de alerta e tenta compensar essa deficiência.

A reposição de glicose pode ser feita por via oral, se o paciente estiver consciente e capaz de engolir, ou por via intravenosa, se o paciente estiver inconsciente ou com dificuldade de deglutição.

A dose e a velocidade da administração dependem da gravidade do quadro e dos sinais vitais do paciente. O objetivo é restaurar os níveis normais de glicose no sangue e evitar danos cerebrais irreversíveis.

Indicações da Glicose

A glicose pode ser medida em diferentes concentrações, dependendo do método e do objetivo do teste.

Algumas indicações da glicose quanto a 5%, 10%, 25% e 50% são:

  • 5%: Essa é a concentração de glicose usada na solução salina glicosada, que é administrada por via intravenosa em casos de desidratação, hipoglicemia ou choque. A solução contém 5 gramas de glicose por 100 mililitros de água, o que corresponde a uma osmolaridade de 278 mOsm/L.
  • 10%: Essa é a concentração de glicose usada na solução glicosada hipertônica, que é administrada por via intravenosa em casos de hiponatremia, edema cerebral ou coma hiperosmolar. A solução contém 10 gramas de glicose por 100 mililitros de água, o que corresponde a uma osmolaridade de 505 mOsm/L.
  • 25%: Essa é a concentração de glicose usada na solução glicosada hipertônica concentrada, que é administrada por via intravenosa em casos de hipoglicemia grave ou choque refratário. A solução contém 25 gramas de glicose por 100 mililitros de água, o que corresponde a uma osmolaridade de 1378 mOsm/L.
  • 50%: Essa é a concentração de glicose usada na solução glicosada hipertônica superconcentrada, que é administrada por via intravenosa em casos de parada cardiorrespiratória, convulsões ou coma hipoglicêmico. A solução contém 50 gramas de glicose por 100 mililitros de água, o que corresponde a uma osmolaridade de 2523 mOsm/L.

Referências:

  1. Gov.br
  2. Dr. Consulta
  3. Consultaremedicos
Notícias da Enfermagem

10 Cursos gratuitos de Enfermagem que você precisa conhecer

Vá direto ao ponto!1. 10 cursos gratuitos de Enfermagem1.1. 1 – Bacharelado em Enfermagem – Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO)1.2. 2 – Bacharelado em Enfermagem – Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP)1.3. 3 – Minicurso de Saúde Mental de Profissionais de Enfermagem (Cofen)1.4. 4 – Terapia nutricional no paciente crítico – […]

Papaína a 10%

A Papaína é uma enzima proteolítica proveniente do mamão, Carica papaya Linn., e é muito empregada na indústria alimentícia, cosmética e farmacêutica.

No Brasil, Lina Monetta foi a primeira autora a reportar cientificamente os resultados da utilização da papaína in natura, bem como diluída no tratamento de feridas.

No entanto, o uso da papaína já é consagrado na literatura internacional desde a década de 50.

BENEFÍCIO:

  • Promove desbridamento químico / enzimático;
  • Bactericida e bacteriostático.

INDICAÇÃO DE USO:

  • Lesões com presença de granulação (concentração 2%);
  • Necrose de liquefação / esfacelo (4-6%);
  • Necrose de coagulação/escara (8-10%);
  • Feridas secas ou exsudativas;
  • Planas e/ou cavitárias;
  • Feridas infectadas.

PRECAUÇÃO/CONTRAINDICAÇÃO:

  • Sensibilidade aos componentes do produto;
  • Pacientes alérgicos à látex não devem utilizar a papaína.

FREQUÊNCIA DE TROCA:

  • A cada 24 horas, antes se o curativo secundário estiver saturado.

CONSIDERAÇÕES:

Os recipientes utilizados para diluição e armazenamento não devem ser metálicos, pois provocam oxidação e inativação da enzima.