Mal-Estar ao Sentar no Leito: O Que Fazer?

Mal estar ao sentar no leito

Sentar o paciente à beira do leito pode ser uma etapa importante da recuperação, mas o aparecimento de tontura, suor frio ou fraqueza exige atenção imediata. A mudança de posição pode provocar hipotensão ortostática, especialmente após repouso prolongado, desidratação ou uso de determinados medicamentos. Por isso, a mobilização deve ser acompanhada e ajustada à resposta clínica do paciente.

Reconheça os sinais e interrompa a mobilização

Se o paciente relatar que está passando mal logo após se sentar, a atividade deve ser interrompida. Ajude-o a retornar a uma posição segura, conforme sua condição clínica, evitando que tente se levantar ou caminhar. Avalie nível de consciência, pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória e saturação de oxigênio, conforme indicação e protocolo institucional.

Durante uma mobilização, por exemplo, um paciente pode ficar pálido, apresentar visão escurecida e dizer que está prestes a desmaiar. Nesse momento, ele deve ser amparado para evitar uma queda, colocado em posição segura e reavaliado. Se houver perda de consciência, dor torácica, falta de ar importante ou sinais de instabilidade, a equipe de resposta rápida ou emergência deve ser acionada imediatamente.

Nem todo mal-estar é apenas tontura postural

A relação com a mudança de posição é uma pista, mas não confirma a causa. Hipoglicemia, arritmias, sangramento, infecção e outras condições também podem provocar mal-estar. Se os sintomas persistirem mesmo após o repouso, retornarem durante novas tentativas ou vierem acompanhados de alterações importantes dos sinais vitais, a avaliação clínica deverá ser ampliada antes de retomar a mobilização.

Imagine um paciente que, depois de permanecer vários dias no leito, sente fraqueza e apresenta queda da pressão arterial ao sentar. Mesmo que melhore ao deitar, a equipe deve comunicar o episódio ao enfermeiro responsável e registrar os achados, incluindo os sinais vitais e a resposta às medidas adotadas. A melhora não deve ser usada como justificativa para repetir imediatamente a mobilização sem reavaliação.

Cuidados de enfermagem

Antes de mobilizar, verifique as condições clínicas, as restrições de movimento e o risco de queda. Durante a mudança de posição, observe sintomas e sinais vitais conforme a necessidade, mantendo apoio físico adequado. Se houver mal-estar, interrompa a atividade, solicite ajuda quando necessário e não deixe o paciente sozinho até que esteja seguro. A retomada deve ocorrer somente após reavaliação e conforme o plano assistencial.

O objetivo não é apenas colocar o paciente sentado, mas garantir que ele tolere a mudança de posição sem comprometer sua segurança.

Resumo para salvar

Mal-Estar ao Sentar no Leito

  • Interrompa a mobilização diante dos sintomas
  • Avalie sinais vitais e nível de consciência
  • Investigue sinais de instabilidade clínica
  • Retome a mobilização somente após reavaliação

Referências:

  1. KIM, Michael J.; FARRELL, Jennifer. Orthostatic hypotension: a practical approach. American Family Physician, v. 105, n. 1, p. 39-49, 2022. Disponível em: https://www.aafp.org/afp/2022/0100/p39.
  2. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE (NICE). Falls: assessment and prevention in older people and in people 50 and over at higher risk. NICE guideline NG249. London: NICE, 2025. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/NG249.
  3. AQUIM, Esperidião Elias et al. Diretrizes brasileiras de mobilização precoce em unidade de terapia intensiva. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, São Paulo, v. 31, n. 4, p. 434-443, 2019. DOI: https://doi.org/10.5935/0103-507X.20190084. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31967216/

Familiar Filmando a Assistência: Como Agir?

Familiar Filmando

A presença de um celular apontado para a equipe pode mudar o clima de um atendimento em segundos. O profissional pode se sentir pressionado, observado ou até intimidado, enquanto o paciente continua precisando de assistência segura. Nessa situação, a conduta deve ser firme, respeitosa e alinhada às normas da instituição.

Primeiro, proteja o paciente

Se um familiar começar a filmar durante um procedimento, mantenha a calma e avalie se a gravação está expondo o paciente, outros usuários, informações do prontuário ou profissionais que não autorizaram o registro de sua imagem. O Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem determina o respeito ao pudor, à privacidade e à intimidade da pessoa (art. 43) e reconhece o direito do profissional de negar-se a ser filmado durante suas atividades (art. 21).

Imagine que, durante a troca de um curativo, um acompanhante direcione o celular para a lesão e para o rosto do paciente. A equipe deve preservar a intimidade, solicitar que a câmera seja direcionada para outro local ou que a gravação seja interrompida e explicar o motivo com tranquilidade. Se houver resistência, o enfermeiro responsável e a liderança do setor devem ser acionados, conforme o protocolo institucional.

Imagens que revelem a condição de saúde de uma pessoa podem configurar dado pessoal sensível pela Lei Geral de Proteção de Dados, o que reforça a necessidade de seguir o fluxo institucional em caso de divulgação indevida.

Como conversar sem agravar o conflito

Uma abordagem objetiva costuma ajudar: “Entendo que você queira acompanhar o cuidado, mas precisamos preservar a privacidade do paciente e das outras pessoas. Neste momento, peço que interrompa a gravação enquanto verificamos a orientação da instituição”.

A gravação não deve ser tratada automaticamente como uma infração, pois a situação depende das circunstâncias, dos direitos envolvidos e das regras aplicáveis. Entretanto, o profissional de enfermagem pode se recusar a ser filmado durante suas atividades, conforme o artigo 21 do Código de Ética. Se o familiar estiver registrando uma possível falha assistencial, a equipe deve evitar intimidações ou retaliações e encaminhar a situação pelos canais adequados, sem interromper cuidados necessários.

Em outra situação ilustrativa, um acompanhante começa a gravar durante uma intercorrência em que o paciente apresenta queda de saturação. A prioridade é atender o paciente e organizar a resposta da equipe. A discussão sobre a gravação deve ser conduzida sem atrasar intervenções urgentes; se necessário, outro profissional ou a liderança pode conversar com o familiar enquanto o atendimento prossegue.

Cuidados de enfermagem

Mantenha a assistência como prioridade, preserve a privacidade do paciente e dos demais usuários e comunique a ocorrência ao enfermeiro responsável. Se houver ameaça, constrangimento ou divulgação indevida da imagem, siga o fluxo institucional e solicite apoio da liderança ou dos setores competentes. Registre no prontuário apenas informações relevantes para a assistência e, quando indicado, formalize o incidente no sistema próprio da instituição, de maneira objetiva e sem julgamentos.

O mais importante é não transformar o momento em uma disputa pessoal. Uma resposta profissional protege o paciente, resguarda a equipe e permite que a situação seja resolvida pelos meios adequados.

Resumo para salvar

Familiar Filmando a Assistência

  • Priorize a segurança e a privacidade do paciente
  • Converse com firmeza e respeito
  • Acione a liderança conforme o protocolo
  • Registre a ocorrência pelos meios adequados

Referências:

  1. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 564/2017: aprova o novo Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2017. Disponível em: Cofen: Resolução nº 564/2017.
  2. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Direito de imagem e os profissionais de enfermagem. (Vídeo). Biblioteca Virtual de Enfermagem, (s.d.). Disponível em: Biblioteca Virtual do Cofen.
  3. BRASIL. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Brasília, DF: Presidência da República, 2018. Disponível em: Planalto: Lei nº 13.709/2018.

Divergência na Equipe: Como Agir?

Conflito em equipe

Uma divergência no plantão pode começar com uma orientação aparentemente simples e terminar em uma falha de comunicação que compromete o cuidado. Na enfermagem, o mais importante é garantir que a discordância seja resolvida sem atrasar uma conduta necessária nem expor o paciente a riscos. A comunicação respeitosa e o trabalho em equipe são componentes essenciais da segurança assistencial, conforme as recomendações da Organização Mundial da Saúde.

Converse com foco no problema

Quando houver discordância sobre um procedimento, uma prioridade ou uma orientação, procure esclarecer os fatos antes de atribuir culpa. Descreva objetivamente o que foi observado, explique sua preocupação e ouça o motivo da conduta proposta pelo colega. Se a discussão acontecer diante do paciente, prefira conversar em local reservado, desde que isso não atrase uma intervenção urgente.

Imagine que dois profissionais discordem sobre o horário de administrar um medicamento. Em vez de seguir a orientação de quem fala com mais firmeza, confira a prescrição vigente e esclareça a dúvida com o enfermeiro responsável ou com a equipe prescritoria, conforme o caso. A decisão deve ser baseada em informações verificáveis, não em hierarquia informal ou pressão entre colegas.

Quando não há acordo

Se a divergência persistir ou houver risco imediato, acione o enfermeiro responsável e utilize os canais institucionais de escalonamento. Em situações urgentes, a assistência necessária não deve ser adiada enquanto se tenta resolver um conflito pessoal. Por exemplo, se houver desacordo sobre a gravidade de uma alteração clínica, os sinais vitais e a condição do paciente devem ser reavaliados, com comunicação imediata à equipe responsável e registro dos achados relevantes.

Depois que a situação estiver controlada, vale revisar o que provocou o impasse: uma informação incompleta, uma passagem de plantão falha ou uma interpretação diferente do protocolo. Essa análise pode evitar que o mesmo problema se repita e deve ser conduzida com foco na melhoria do processo, não na exposição desnecessária de pessoas.

Cuidados de enfermagem

Mantenha o diálogo profissional, confira prescrições e protocolos, registre fatos relevantes de forma objetiva e procure apoio quando a segurança estiver em risco. Evite discussões diante do paciente e nunca altere uma conduta por pressão ou retaliação. Se houver risco assistencial, priorize a proteção do paciente e siga o fluxo de comunicação da instituição.

Resumo para salvar

Divergência na Equipe: Como Agir?

  • Esclarecer os fatos antes de atribuir culpa
  • Conferir prescrições e protocolos
  • Acionar a liderança diante de risco ou impasse
  • Registrar ocorrências e priorizar a segurança do paciente

Referências:

  1. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Patient safety. Geneva: WHO. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/patient-safety.
  2. AGENCY FOR HEALTHCARE RESEARCH AND QUALITY (AHRQ). TeamSTEPPS: Strategies and Tools to Enhance Performance and Patient Safety. Rockville: AHRQ. Disponível em: https://www.ahrq.gov/teamstepps/index.html.
  3. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 564/2017: Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2017. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-5642017/. 

Como Explicar um Procedimento ao Paciente

Como Explicar um Procedimento ao Paciente

Uma explicação mal compreendida pode gerar mais medo do que o próprio procedimento. Na enfermagem, comunicar bem significa ajudar o paciente a entender o que será feito, por que é necessário e o que ele poderá sentir, respeitando seu direito de perguntar e participar das decisões sobre o próprio cuidado. Essa comunicação deve ser clara, acessível e adequada às necessidades de cada pessoa, conforme o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, que prevê esclarecer a pessoa sobre direitos, riscos e benefícios e orientá-la sobre preparo e consequências dos procedimentos, respeitando o direito de recusa.

Explique sem complicar

Antes de iniciar, diga o nome do procedimento, sua finalidade e as etapas principais, usando palavras familiares e evitando termos técnicos sem explicação. Ao preparar uma punção venosa, por exemplo, você pode dizer: “Vou colocar um acesso na sua veia para administrar o medicamento. Você pode sentir uma picada rápida; se sentir dor forte ou perceber inchaço, me avise”. Assim, o paciente sabe o que esperar e quais sinais deve comunicar.

Também é importante observar as reações durante a conversa. Uma pessoa pode concordar com a cabeça sem ter compreendido as orientações, especialmente quando está ansiosa, com dor ou sob efeito de medicamentos. Em vez de perguntar apenas “Entendeu?”, peça que explique com suas próprias palavras o que foi combinado. Essa estratégia, conhecida como teach-back, ajuda a identificar dúvidas sem constranger o paciente e é recomendada pela Agency for Healthcare Research and Quality (AHRQ).

Respeito também faz parte da técnica

Imagine um paciente que começa a recuar quando a equipe se aproxima para realizar um curativo. Antes de continuar, explique o que será feito, pergunte o que está causando preocupação e dê espaço para que ele manifeste suas dúvidas. Se houver necessidade de adaptar a abordagem, isso deve ser discutido sempre que possível, respeitando a autonomia e o consentimento do paciente.

A explicação também precisa ser honesta: não prometa ausência de dor nem minimize riscos relevantes. Informe o que é esperado, quais desconfortos podem ocorrer e quando o paciente deve avisar a equipe. Para procedimentos que exigem consentimento formal, a conversa deve seguir as regras aplicáveis, sem substituir as etapas necessárias de consentimento informado.

Cuidados de enfermagem

Confirme se o paciente está em condições de receber as informações, adapte a linguagem, preserve a privacidade e ofereça oportunidade para perguntas. Utilize recursos visuais ou apoio de comunicação quando necessário e verifique a compreensão antes de começar. Registre informações relevantes conforme a rotina institucional e comunique à equipe dúvidas ou dificuldades que possam interferir na segurança do procedimento.

Resumo para salvar

Como Explicar um Procedimento ao Paciente

  • Explicar finalidade e etapas em linguagem simples
  • Informar sensações esperadas e sinais de alerta
  • Convidar o paciente a fazer perguntas
  • Confirmar a compreensão antes de iniciar

Referências:

  1. AGENCY FOR HEALTHCARE RESEARCH AND QUALITY (AHRQ). Use the Teach-Back Method: Tool 5. Rockville: AHRQ. Disponível em: https://www.ahrq.gov/health-literacy/improve/precautions/tool5.html.
  2. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução Cofen nº 564/2017. Aprova o novo Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2017. Disponível em: Biblioteca Virtual do Cofen. 

Coleta de Sangue Difícil, O Que Pode Ajudar?

coleta de sangue difícil

Quando uma veia não aparece, insistir no mesmo local pode aumentar a dor, provocar hematomas e dificultar ainda mais a coleta. O melhor resultado costuma começar com uma boa avaliação, escolha adequada do dispositivo e preparo do paciente, respeitando os limites de tentativas definidos pelo protocolo institucional.

Prepare antes de puncionar

Observe os membros, procure veias palpáveis e avalie as condições da pele. Manter o braço apoiado e utilizar uma compressa morna por alguns minutos pode ajudar a dilatar os vasos, desde que a temperatura seja segura e não haja contraindicação. O garrote deve ser aplicado pelo tempo necessário, evitando permanência prolongada, pois isso pode alterar alguns resultados laboratoriais.

Em pacientes idosos ou com veias frágeis, por exemplo, a palpação pode ser mais útil do que procurar apenas uma veia visível. Uma veia que parece evidente pode ser móvel ou muito superficial; por isso, a escolha deve considerar o trajeto, a elasticidade e a estabilidade do vaso. As recomendações de coleta venosa da Organização Mundial da Saúde reforçam a importância da seleção cuidadosa do local e da técnica correta.

Quando a primeira tentativa falha

Se a coleta não funcionar, evite explorar a região com a agulha ou repetir a punção indefinidamente. Retire o dispositivo com segurança, faça compressão local e reavalie a estratégia. Conforme a condição do paciente e as regras do serviço, pode ser necessário solicitar ajuda a um profissional mais experiente ou utilizar recursos de visualização venosa, quando disponíveis.

Imagine um paciente desidratado com veias pouco palpáveis que já passou por tentativas dolorosas. Nesse cenário, insistir pode causar mais trauma e ansiedade; é mais seguro interromper, comunicar a dificuldade e organizar uma nova abordagem. Em pacientes com acesso venoso difícil, a escolha precoce de um profissional experiente ou de tecnologia auxiliar pode reduzir tentativas desnecessárias.

Cuidados de enfermagem

Confirme a identificação do paciente e os exames solicitados, higienize as mãos, utilize materiais adequados e siga a técnica asséptica. Não repuncione áreas com hematoma ou sinais de complicação. Após a coleta, comprima o local, identifique corretamente os tubos e observe sangramento persistente, dor intensa ou formação de hematoma. Se houver dificuldade recorrente, registre as tentativas conforme a rotina institucional e comunique a equipe.

Resumo para salvar

Coleta de Sangue Difícil: O Que Ajuda?

  • Avaliar e palpar as veias antes da punção
  • Considerar compressa morna segura quando indicada
  • Evitar tentativas repetidas e exploração com a agulha
  • Solicitar apoio e registrar dificuldades conforme o protocolo

Referências:

  1. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). WHO guidelines on drawing blood: best practices in phlebotomy. Geneva: WHO, 2010. Disponível em: https://iris.who.int/handle/10665/44294.
  2. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Best Practices for Blood Specimen Collection. Disponível em: https://www.cdc.gov/lab-quality/php/preventing-errors-in-the-lab/blood-specimen-collection.html. 

Acidente com Perfurocortante: O Que Fazer Imediatamente?

Acidente com Perfurocortante

Um acidente com agulha pode acontecer em segundos, mas a conduta adotada logo depois faz diferença na prevenção de infecções. Mesmo quando o ferimento é pequeno e não há sangramento evidente, a exposição precisa ser avaliada, pois pode envolver risco de transmissão de HIV, hepatite B e hepatite C.

Primeiros cuidados após o acidente

Se houver perfuração ou corte, lave imediatamente o local com água e sabão. Em caso de exposição de olhos ou outras mucosas, irrigue abundantemente com água ou solução fisiológica. Não esprema a ferida, não faça cortes e não aplique produtos irritantes, como hipoclorito ou substâncias cáusticas. Em seguida, procure atendimento de saúde imediatamente para avaliação do risco e definição das medidas preventivas. Essas orientações são recomendadas pelo Ministério da Saúde para exposições ocupacionais a material biológico.

Imagine que, após coletar sangue, um profissional sofra uma perfuração ao tentar reencapar a agulha. Mesmo que o paciente-fonte seja conhecido e pareça saudável, o profissional deve lavar o local, comunicar o acidente e procurar avaliação sem demora. A aparência ou a ausência de sintomas no paciente-fonte não exclui a possibilidade de infecção.

Notificação e avaliação não podem esperar

O acidente deve ser comunicado conforme o protocolo institucional e registrado nos sistemas aplicáveis, incluindo a notificação de acidente de trabalho quando indicada. A avaliação clínica considera o tipo de exposição, o material envolvido, a situação vacinal contra hepatite B e, quando pertinente, a investigação do paciente-fonte, respeitando os procedimentos de consentimento e confidencialidade.

Se houver indicação de profilaxia pós-exposição ao HIV (PEP), ela deve ser iniciada o mais rápido possível, preferencialmente nas primeiras horas e, no máximo, até 72 horas após a exposição. Não espere resultados de exames para procurar atendimento. A necessidade de vacinação ou imunoglobulina contra hepatite B também deve ser avaliada; para hepatite C, não há profilaxia medicamentosa comprovada, por isso o acompanhamento laboratorial é importante.

Cuidados de enfermagem

A NR-32 veda o reencape e a desconexão manual de agulhas. Descarte os perfurocortantes imediatamente, no local onde foram gerados, em recipiente rígido e apropriado, sem ultrapassar o limite de preenchimento indicado e conforme a RDC nº 222/2018. Após um acidente, priorize a higiene local, a comunicação e a avaliação imediata, seguindo o protocolo de saúde ocupacional da instituição.

Segundo parecer da Câmara Técnica do Cofen, os materiais perfurocortantes com dispositivo de segurança reduzem os acidentes percutâneos em comparação aos convencionais.

Resumo para salvar

Perfurocortante: O Que Fazer?

  • Lavar o local com água e sabão
  • Não espremer a ferida nem usar produtos irritantes
  • Procurar atendimento imediatamente para avaliar a exposição
  • Comunicar o acidente e seguir o protocolo institucional

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pós-Exposição de Risco (PEP) à Infecção pelo HIV, ISTs e Hepatites Virais. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pcdt_pep_hiv_ist_hepatites.pdf.
  2. BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 32 (NR-32): Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde. Disponível em: gov.br: NR-32.
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Resolução RDC nº 222, de 28 de março de 2018. Regulamenta as Boas Práticas de Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, n. 61, 29 mar. 2018. Disponível em: Imprensa Nacional: RDC nº 222/2018.
  4. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Parecer de Câmara Técnica nº 014/2020/CTAS/COFEN: segurança oferecida pelas seringas autorretráteis, com demonstrativo da efetividade ou não, na redução de acidentes de trabalho com esse tipo de material. Brasília, DF: Cofen, 2020. Disponível em: Cofen: Parecer nº 014/2020. 

Assumiu o Leito? Confira Estes Pontos

Conferir leito antes de assumir

Assumir um leito sem conferir o que ficou pendente no turno anterior pode fazer uma alteração importante passar despercebida. Uma medicação atrasada, um acesso com sinais de infiltração ou um exame ainda não realizado precisam ser identificados antes que a rotina do plantão avance. A passagem de turno deve garantir continuidade do cuidado e comunicação clara entre os profissionais, conforme as recomendações de segurança do paciente da Anvisa.

Comece pelo paciente, não pelo papel

Confira a identificação com pelo menos dois identificadores, avalie o nível de consciência, a respiração, a dor e os sinais vitais conforme a condição clínica. Observe também a pele, a mobilidade, os acessos venosos, as sondas, os drenos e outros dispositivos. Em pacientes instáveis, a avaliação clínica imediata tem prioridade sobre tarefas administrativas.

Ao assumir um paciente monitorizado na UTI, por exemplo, você percebe que a saturação está abaixo do valor registrado na passagem de plantão. Antes de considerar a informação anterior como atual, confira o paciente, o sensor, a qualidade do sinal e os parâmetros respiratórios, comunicando alterações relevantes à equipe. A situação reforça a importância de validar as informações recebidas à beira-leito, e não apenas repeti-las.

Prescrições e pendências do turno

Verifique as prescrições vigentes, os horários dos medicamentos, as alergias registradas, os cuidados programados e os exames ou procedimentos pendentes. Confirme se infusões contínuas estão com a solução, a velocidade e a programação corretas, respeitando a prescrição e os protocolos institucionais.

Imagine que, durante a conferência, seja identificado um antibiótico previsto para determinado horário, mas sem registro de administração. A conduta segura é verificar o ocorrido com a equipe responsável e consultar a prescrição, sem presumir que a dose foi administrada nem repeti-la automaticamente. Pendências precisam ser esclarecidas para evitar omissões ou duplicidade de doses, conforme os princípios de segurança na administração de medicamentos.

Cuidados de enfermagem

Antes de iniciar as atividades, confirme a identificação do paciente, avalie sua condição clínica, confira dispositivos e infusões e esclareça as pendências prioritárias. Registre as alterações encontradas e comunique imediatamente sinais de deterioração. Se houver vários pacientes sob seus cuidados, organize as primeiras ações conforme o risco clínico, e não apenas pela ordem em que as solicitações chegaram.

Resumo para salvar

Assumiu o Leito? Confira Estes Pontos

  • Avaliar o paciente e confirmar sua identificação
  • Conferir acessos, sondas, drenos e infusões
  • Verificar prescrições, medicamentos e pendências
  • Priorizar alterações clínicas e comunicar riscos

Pocket Enfermagem Ilustrada

 

Referências:

  1. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Protocolo de identificação do paciente. Brasília, DF: Anvisa. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/servicosdesaude/seguranca-do-paciente.
  2. AGENCY FOR HEALTHCARE RESEARCH AND QUALITY (AHRQ). TeamSTEPPS: Strategies and Tools to Enhance Performance and Patient Safety. Rockville: AHRQ. Disponível em: https://www.ahrq.gov/teamstepps/index.html.
  3. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Medication Without Harm. Geneva: WHO. Disponível em: https://www.who.int/initiatives/medication-without-harm. 

Bomba de Infusão em Oclusão: O Que Fazer?

Bomba de infusão com alarme de oclusão e equipo dobrado

Um alarme de oclusão pode interromper a administração de um medicamento mesmo quando não há uma obstrução evidente. Antes de reiniciar a bomba, é preciso identificar a causa, porque a pressão pode estar aumentada por uma dobra no equipo, compressão do cateter, resistência no acesso venoso ou até pela posição do membro. Siga o manual do modelo da bomba: investigue o circuito e o acesso antes de retomar a infusão.

Onde procurar a causa

Comece verificando se o equipo está dobrado, comprimido sob o paciente ou preso em alguma parte do leito. Confira também as pinças, conexões e o trajeto da linha, seguindo as instruções do modelo da bomba. Em seguida, avalie o acesso venoso quanto a dor, edema, vermelhidão, endurecimento ou sinais de infiltração e extravasamento.

Por exemplo, um paciente mantém o braço flexionado e a bomba começa a alarmar durante a infusão. Ao observar o membro, a equipe identifica uma dobra no equipo junto à articulação. Mesmo após corrigir a posição, o acesso deve ser reavaliado e a infusão só deve ser retomada quando houver segurança para isso. Se o alarme persistir, não force a passagem da solução nem aumente a pressão para tentar vencê-lo.

Quando o alarme continua

Se o circuito estiver livre e o alarme persistir, considere problemas no cateter, no acesso vascular ou no próprio equipamento. Em medicamentos de alto risco, como vasopressores, a interrupção da infusão pode ter consequências clínicas importantes; por isso, o paciente deve ser monitorado e a equipe responsável comunicada rapidamente. Quando houver suspeita de extravasamento, interrompa a infusão e siga o protocolo específico do medicamento, sem lavar o acesso.

Outra situação que exige atenção ocorre quando o alarme desaparece após uma manipulação, mas retorna poucos minutos depois. Nesse caso, apenas silenciar ou reiniciar repetidamente a bomba pode atrasar a identificação do problema. A causa precisa ser investigada, e o equipamento deve ser retirado de uso e encaminhado para avaliação técnica se houver suspeita de falha.

Em caso de suspeita de falha, registre a ocorrência e notifique a queixa técnica pelo fluxo da instituição (tecnovigilância/Notivisa).

Cuidados de enfermagem

Não ignore o alarme nem desative os mecanismos de segurança. Verifique o paciente, o acesso e todo o circuito; não force a infusão nem lave uma linha possivelmente obstruída. Após resolver a causa, confirme a prescrição, a programação e a segurança do acesso antes de reiniciar. Registre a intercorrência e comunique a equipe quando houver atraso relevante, interrupção de medicamento crítico ou suspeita de falha do dispositivo.

Resumo para salvar

Bomba de Infusão em Oclusão: O Que Fazer?

  • Verificar equipo, pinças e conexões
  • Avaliar o acesso para dor e edema
  • Não forçar a infusão nem lavar linha obstruída
  • Monitorar o paciente e comunicar falhas persistentes

Referências:

  1. U.S. FOOD AND DRUG ADMINISTRATION (FDA). Infusion Pump Risk Reduction Strategies for Clinicians. Disponível em: https://www.fda.gov/medical-devices/infusion-pumps/infusion-pump-risk-reduction-strategies-clinicians.
  2. U.S. FOOD AND DRUG ADMINISTRATION (FDA). Infusion Pumps. Silver Spring: FDA. Disponível em: https://www.fda.gov/medical-devices/general-hospital-devices-and-supplies/infusion-pumps.
  3. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Notificações: Notivisa. Disponível em: Anvisa: Notificações. 

Mudança de Decúbito: O Que Observar?

Mudança de decúbito

Durante a mudança de decúbito, a pele não é a única coisa que merece atenção. A tolerância do paciente ao movimento, a estabilidade clínica e a posição de sondas, cateteres e drenos também precisam ser avaliadas, porque uma mobilização mal conduzida pode provocar desconforto, deslocamento de dispositivos ou piora clínica. As recomendações de prevenção de lesões por pressão reforçam a necessidade de combinar reposicionamento, avaliação da pele e análise individual do risco.

Avalie antes e depois do movimento

Antes de iniciar, observe o nível de consciência, a dor, a respiração, a pressão arterial e a presença de limitações de mobilidade. Durante a manobra, verifique se há esforço respiratório, palidez, tontura, expressão de dor ou alteração dos sinais vitais. A pele também deve ser inspecionada, principalmente em sacro, calcanhares, quadris, cotovelos e outras áreas submetidas à pressão, procurando vermelhidão persistente, bolhas, feridas ou mudanças de temperatura e consistência.

Em um paciente acamado que demonstra desconforto ao ser virado para o lado, por exemplo, a equipe precisa observar se a dor está relacionada ao movimento, à posição de um dispositivo ou a uma condição clínica que exige avaliação. A mudança não deve ser concluída mecanicamente sem considerar a resposta apresentada pelo paciente. As diretrizes do NICE recomendam que o reposicionamento seja individualizado conforme o risco e a condição clínica.

Atenção aos dispositivos e ao alinhamento

Antes de movimentar um paciente com oxigenoterapia, acesso venoso, sonda vesical ou dreno, confira a fixação e a folga dos tubos, evitando tração, dobras e desconexões. Após o reposicionamento, confirme se os dispositivos continuam funcionais e se o corpo está bem alinhado, com alívio da pressão nas proeminências ósseas. Na UTI, quando um paciente está em ventilação mecânica, é especialmente importante acompanhar a saturação, a adaptação ao ventilador e a segurança do tubo durante toda a manobra.

Também pode acontecer de, após a mudança, uma área avermelhada ficar visível no sacro ou no calcanhar. Nesse caso, a região deve ser reavaliada e registrada conforme o protocolo institucional, sem massagear a pele avermelhada, pois isso pode agravar a lesão. A prevenção exige inspeção sistemática, alívio de pressão e comunicação das alterações identificadas.

Cuidados de enfermagem

Realize a mudança com técnica segura e número adequado de profissionais, utilizando recursos de mobilização quando indicados. Respeite a tolerância clínica, mantenha o alinhamento corporal, proteja os dispositivos e registre a posição adotada, a condição da pele e eventuais intercorrências. A frequência do reposicionamento deve ser definida de acordo com o risco, a condição do paciente e o protocolo assistencial, e não aplicada de forma rígida para todos.

Resumo para salvar

Mudança de Decúbito: O Que Observar?

  • Avaliar estabilidade clínica e dor antes da manobra
  • Inspecionar pele e proeminências ósseas
  • Proteger sondas, cateteres e drenos durante o movimento
  • Registrar a tolerância e as alterações observadas

 

Pocket Enfermagem Ilustrada

 

Referências:

  1. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE (NICE). Pressure ulcers: prevention and management. London: NICE, 2014. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/cg179.
  2. NATIONAL PRESSURE INJURY ADVISORY PANEL; EUROPEAN PRESSURE ULCER ADVISORY PANEL; PAN PACIFIC PRESSURE INJURY ALLIANCE. Repositioning and Mobilization. In: HAESLER, Emily (ed.). Prevention and Treatment of Pressure Ulcers/Injuries: Clinical Practice Guideline. The International Guideline: Fourth Edition. 2026. Disponível em: International Guideline: Repositioning and Mobilization. 

Dor Abdominal: O Que a Enfermagem Deve Observar

Dor Abdominal

A intensidade da dor abdominal nem sempre revela a gravidade do quadro. Um paciente pode relatar desconforto moderado enquanto apresenta sinais iniciais de uma condição que exige avaliação urgente; por isso, a enfermagem deve observar a evolução da dor, o estado geral e os sinais associados, em vez de se orientar apenas pela nota atribuída pelo paciente. Dor súbita, piora progressiva ou sinais de instabilidade exigem avaliação imediata.

Localização e evolução da dor

Na avaliação inicial, investigue onde a dor começou, onde está localizada, quando apareceu, quanto tempo dura e se piora com movimentos ou alimentação. Pergunte sobre intensidade, caráter — cólica, queimação ou pontada — e sintomas associados, como náuseas, vômitos, febre, distensão, diarreia ou ausência de evacuação e eliminação de gases. A história clínica ajuda a direcionar a investigação, mas não substitui o exame físico.

Imagine um paciente que chega relatando dor ao redor do umbigo, mas, durante a observação, passa a apontar a região inferior direita do abdome. Essa mudança deve ser registrada e comunicada, pois a migração da dor pode ser clinicamente relevante, inclusive em casos de apendicite. A evolução dos sintomas precisa ser acompanhada, sem que um diagnóstico seja presumido apenas pela localização.

Sinais de alerta que não podem esperar

Observe pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória, temperatura, perfusão e nível de consciência. Abdome rígido, dor intensa ao movimento, distensão importante, vômitos persistentes, sangue nas fezes, desmaio ou sinais de choque exigem avaliação urgente. A dor súbita e intensa também deve ser valorizada, especialmente quando acompanhada de palidez, sudorese ou deterioração do estado geral.

Em outra situação clínica, um paciente com dor abdominal começa a apresentar palidez, sudorese fria e queda da pressão arterial. Nesse momento, a prioridade passa a ser reconhecer a possível instabilidade, acionar a equipe responsável e iniciar as medidas de suporte previstas no protocolo, sem atrasar o atendimento para completar uma avaliação rotineira.

Cuidados de enfermagem

Reavalie a dor e os sinais vitais, registre os achados e comunique prontamente qualquer piora. Mantenha o paciente em segurança, prepare-o para exames conforme orientação e protocolo e não ofereça alimentos, bebidas ou medicamentos por iniciativa própria quando houver suspeita de abdome agudo. A analgesia prescrita não deve ser atrasada indevidamente; a resposta ao tratamento também precisa ser monitorada.

A avaliação de enfermagem não termina quando a dor é registrada. A mudança do quadro clínico pode ser o sinal mais importante.

Resumo para salvar

Dor Abdominal: O Que Observar

  • Investigue localização e evolução da dor
  • Avalie sinais vitais e sintomas associados
  • Reconheça rigidez abdominal e sinais de instabilidade
  • Registre, reavalie e comunique a piora clínica

Referências:

  1. MERCK MANUAL PROFESSIONAL EDITION. Acute abdominal pain. Disponível em: https://www.merckmanuals.com/professional/gastrointestinal-disorders/acute-abdomen-and-surgical-gastroenterology/acute-abdominal-pain.
  2. NATIONAL HEALTH SERVICE (NHS). Appendicitis. Disponível em: https://www.nhs.uk/conditions/appendicitis/.
  3. ANSARI, Parswa. Acute abdominal pain. In: MERCK MANUAL PROFESSIONAL EDITION. (S. l.): Merck & Co., jul. 2024. Disponível em: https://www.merckmanuals.com/professional/gastrointestinal-disorders/acute-abdomen-and-surgical-gastroenterology/acute-abdominal-pain.
  4. BALA, Miklosh et al. Acute mesenteric ischemia: updated guidelines of the World Society of Emergency Surgery. World Journal of Emergency Surgery, v. 17, art. 54, 2022. DOI: https://doi.org/10.1186/s13017-022-00443-x.