PCR e RCP: Saiba a Diferença na Prática

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 25/09/2026.

Na parada cardiorrespiratória, perder tempo tentando confirmar demais pode ser tão prejudicial quanto não reconhecer o evento. Para a enfermagem, a diferença essencial é simples: PCR é a condição; RCP é a resposta a ela. O reconhecimento rápido permite iniciar compressões, acionar a equipe de emergência e utilizar o desfibrilador sem atrasos desnecessários.

PCR não é sinônimo de RCP

PCR — parada cardiorrespiratória — é a interrupção da circulação efetiva, geralmente acompanhada de ausência de respiração normal.

RCP — ressuscitação cardiopulmonar — é o conjunto de intervenções realizadas para manter a circulação e a oxigenação durante a parada, incluindo compressões torácicas, ventilação, desfibrilação quando indicada e outras medidas do suporte à vida.

Portanto, a PCR é o evento clínico que exige uma resposta imediata; a RCP é uma das principais respostas.

Como reconhecer uma PCR

Em um adulto inconsciente ou não responsivo, observe a respiração. Gasping, respiração agônica ou movimentos respiratórios anormais não devem ser interpretados como respiração normal.

Para profissionais de saúde, deve-se verificar simultaneamente respiração e pulso e, se não houver pulso definitivamente palpável em até 10 segundos, assumir a parada e iniciar RCP. O objetivo é evitar que uma busca prolongada por pulso atrase as compressões.

Um detalhe que costuma confundir no plantão é o paciente que apresenta alguns movimentos semelhantes a suspiros logo após perder a responsividade. Esse gasping pode ocorrer durante uma PCR e não significa que a ventilação esteja adequada; diante do quadro compatível, a equipe deve seguir o algoritmo de parada.

RCP de alta qualidade

No adulto, as compressões devem ser realizadas no centro do tórax, sobre a metade inferior do esterno, com:

  • frequência de 100 a 120 compressões por minuto;
  • profundidade de pelo menos 5 cm, evitando ultrapassar 6 cm;
  • retorno completo do tórax após cada compressão;
  • interrupções tão curtas quanto possível;
  • ventilação sem excesso.

Sem via aérea avançada, utiliza-se a relação 30 compressões para 2 ventilações. Com via aérea avançada instalada, as compressões permanecem contínuas e são administradas aproximadamente 10 ventilações por minuto, uma a cada 6 segundos.

Desfibrilação muda o caminho

Assim que o monitor/desfibrilador ou DEA estiver disponível, o ritmo deve ser analisado. Fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso são ritmos chocáveis e exigem desfibrilação, seguida imediatamente pela retomada da RCP.

Já na atividade elétrica sem pulso e na assistolia, a prioridade é RCP de alta qualidade, epinefrina conforme algoritmo e investigação das causas reversíveis.

Durante a ressuscitação, a equipe também deve procurar causas potencialmente reversíveis, tradicionalmente lembradas pelos 5 Hs e 5 Ts: hipovolemia, hipóxia, acidose, alterações de potássio, hipotermia; pneumotórax hipertensivo, tamponamento cardíaco, toxinas, trombose pulmonar e trombose coronariana.

Em um atendimento com vários profissionais, enquanto um membro mantém as compressões, outro pode preparar o desfibrilador e outro estabelecer acesso IV/IO ou organizar medicamentos. Essa divisão simultânea de tarefas evita que a equipe pare a RCP para realizar procedimentos que podem acontecer em paralelo.

O que mudou em relação ao conteúdo antigo

A recomendação antiga de fazer compressões a “no mínimo 100 por minuto” ficou incompleta. A faixa atualmente recomendada é 100–120/min, associada à profundidade adequada e ao retorno completo do tórax.

Também não é necessário colocar o paciente no chão como regra universal. Em ambiente hospitalar, a equipe deve iniciar a ressuscitação na posição e superfície apropriadas ao cenário, priorizando compressões eficazes e segurança. Em situações específicas, inclusive durante procedimentos ou com o paciente em posição prona, existem estratégias próprias de ressuscitação.

Outra mudança importante é abandonar a ideia de que a verificação do pulso deve ser prolongada. Para o profissional de saúde, 10 segundos é o limite; se não houver pulso claramente identificado, as compressões devem começar.

Cuidados de enfermagem

Na PCR, a enfermagem deve reconhecer rapidamente a ausência de responsividade e respiração normal, acionar o protocolo institucional, iniciar ou auxiliar a RCP, organizar monitor/desfibrilador, providenciar acesso conforme competência e protocolo, preparar medicamentos e materiais e registrar os horários e intervenções relevantes.

Durante as compressões, é essencial observar a qualidade da RCP, minimizar pausas e realizar a troca do compressor aproximadamente a cada 2 minutos, ou antes se houver fadiga. Quando disponível, a capnografia quantitativa com curva também pode ajudar a monitorar a qualidade das compressões e confirmar a posição de uma via aérea avançada.

Após o retorno da circulação espontânea, o atendimento não termina. O paciente passa para a etapa de cuidados pós-PCR, com monitorização e tratamento direcionados à causa da parada e à prevenção de nova deterioração.

Para não confundir na prova

Guarde esta diferença:

PCR = o paciente está em parada cardiorrespiratória.

RCP = o conjunto de manobras realizadas para tentar manter ou restaurar a circulação e a oxigenação.

E, diante de um adulto inconsciente, sem respiração normal e sem pulso definitivamente palpável em até 10 segundos, a prioridade é começar RCP e utilizar o desfibrilador assim que disponível, seguindo o protocolo de suporte básico ou avançado correspondente ao cenário.

Resumo para salvar

PCR e RCP na enfermagem

  • PCR é a condição clínica
  • RCP é a resposta à parada
  • Compressões devem ocorrer a 100 a 120 por minuto
  • Desfibrilação deve ser realizada quando indicada

Referências:

  1. AMERICAN HEART ASSOCIATION. 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care: Part 7 – Adult Basic Life Support. Dallas: AHA, 2025. Disponível em: AHA – Adult Basic Life Support 2025. 
  2. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Adult Basic Life Support Algorithm for Health Care Professionals. Dallas: AHA, 2025. Disponível em: Algoritmo AHA 2025 – BLS Adulto. 
  3. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Adult Cardiac Arrest Algorithm. Dallas: AHA, 2025. Disponível em: Algoritmo AHA 2025 – PCR em adultos.
  4. BERNOCHE, Claudia et al. Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 113, n. 3, p. 449-663, 2019. Disponível em: Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia – RCP 2019. 

Desfibrilador Automático Externo (DEA)

O DEA, ou desfibrilador Externo Automático, é um equipamento portátil destinado a reverter parada cardiorrespiratória através da detecção automática de ritmos chocáveis (fibrilação ventricular e taquicardia ventricular) e aplicação de pulso de desfibrilação bifásico.

O desfibrilador automático externo (DEA), utilizado em parada cardiorrespiratória, tem como função identificar o ritmo cardíaco “FV” ou fibrilação ventricular, presente em 90% das paradas cardíacas.

Efetua a leitura automática do ritmo cardíaco através de pás adesivas no tórax. Tem o propósito de ser utilizado por público leigo, com recomendação que o operador faça curso de Suporte Básico em parada cardíaca. Descarga: 200 J (bifásico) e 360 J (monofásico) em adultos. Crianças, acima de 8 anos – 100 J (redutor).

Não há consenso na utilização de crianças com menos de 30 kg.

Hoje, são utilizados equipamentos em unidades de emergência e UTIs, com cargas monofásicas que variam de 0 a 360 J ou bifásicas de 0 a 200 J.

Em muitos países a aquisição e utilização dos aparelhos DEA é livre e incentivada, pelas seguintes razões:

  • em caso de paragem cardiorrespiratória tem de ser aplicado de imediato, não havendo tempo para chamar um serviço de emergência;
  • os DEA atuam sozinhos/inteligentemente, aplicando o choque apenas se for estritamente necessário.

O DEA/DAE pode ser usado em pediatria, porém, veja na animação a seguir algumas ressalvas:

Cuidados com a utilização do DEA

O uso do desfibrilador acontece segundo os quatro passos seguintes:

  1. Ligue o aparelho: ligue o DEA e escute atentamente às instruções sobre como proceder.
  2. Posicione os eletrodos: normalmente, os eletrodos dos DEAs são adesivos em coxim. O direito deve ser posicionado embaixo da clavícula da vítima, enquanto o esquerdo deve ser aderido abaixo do mamilo esquerdo.

É importante que os eletrodos sejam posicionados corretamente, para que a corrente elétrica atinja mais fibras cardíacas.

  1. Aguarde o aparelho analisar a condição do paciente: depois de posicionar os coxins no paciente, instale o cabo do aparelho na luz indicativa. A partir daí, o DEA irá fazer uma análise do seu ritmo cardíaco.

É o resultado dessa análise que determinará se é necessário aplicar o choque ou não. Quando a análise aponta para a não realização do choque, deve-se prosseguir com a massagem e aguardar a chegada da emergência.

  1. Dê o choque: se a análise do desfibrilador apontar que é preciso efetuar o choque no paciente, veja primeiro se não tem ninguém muito perto ou em contato com o DEA ou com a vítima.

Assim, pressione o botão de choque. É importante ressaltar que o aparelho dá uma descarga elétrica por vez. Após dois minutos, uma nova avaliação do ritmo cardíaco é realizada, indicando o próximo passo a ser seguido.

Não remova o desfibrilador após o procedimento. Aguarde o atendimento médico.

Preparações especiais

Antes de posicionar os eletrodos do DEA no paciente, é preciso atentar a alguns detalhes. No caso em que a vítima é um homem com muito pelo na região peitoral, deve-se raspar a área antes da colocação dos coxins, a fim de que eles fiquem aderidos diretamente na pele.

Antes de utilizar um DEA, certifique-se de que o paciente não está molhado. Caso esteja, seque-o.

O eletrodo do desfibrilador também não pode ser colado sobre implantes de marca-passo e medicamentos adesivos, uma vez que pode haver interferência na corrente elétrica. É necessário retirar também acessórios de metal como joias, pulseiras e sutiãs com aro.

A cada 40 segundos um brasileiro morre devido a problemas cardíacos. Mas, com um desfibrilador por perto, você garante um atendimento a uma complicação por arritmia cardíaca em adultos e crianças em poucos minutos com uma elevada taxa de sobrevivência.

Cuidados na utilização do DEA com crianças

  • Em crianças de 1 a 8 anos, deve-se utilizar um sistema atenuador de carga pediátrico, se disponível;
  • Caso o DEA não possua o sistema atenuador pediátrico, deve-se usar um DEA padrão;
  • Para crianças com menos de 1 ano de idade, prefira o desfibrilador manual. Caso não haja um disponível, utilize o DEA com atenuação de carga pediátrica. Caso não tenha nenhum dos dois disponíveis, utilize um sem atenuador de carga;
  • A carga ideal de desfibrilação em pacientes pediátricos não é conhecida, porém pode-se considerar uma carga inicial de 2 J/kg;
  • Nos choques subsequentes, os níveis de energia devem ser de, no mínimo, 4 J/kg, podendo ser considerados níveis de energia mais altos, desde que não excedam 10 J/kg ou a carga máxima para adultos.

Caso a criança chegue à emergência ou tenha uma PCR dentro do ambiente hospitalar, sem suspeita de trauma, e ela esteja não responsiva, havendo suspeita de estar sufocada, a via aérea deve ser verificada.

As duas formas que temos para isso são as manobras chin-lift (inclinação da cabeça – elevação do queixo  e jaw-thrust (elevação da mandíbula). Ressalta-se que em caso de suspeita de trauma de crânio ou cervical, a manobra utilizada para a abertura das vias aéreas deve ser a de elevação da mandíbula (manobra jaw-thrust).

Referências:

  1. CMOs drake
  2. IESPE
  3. ANVISA
  4. Lister, Pablo et al. Uso do desfibrilador automático externo no ambiente pré-hospitalar peruano: melhorando a resposta a emergências na América Latina. Revista Brasileira de Terapia Intensiva [online]. 2009, v. 21, n. 3 [Acessado 4 Agosto 2022] , pp. 332-335. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0103-507X2009000300015&gt;. Epub 30 Out 2009. ISSN 1982-4335. https://doi.org/10.1590/S0103-507X2009000300015.

Manejo de Vias Aéreas: Manobra de Chin Lift e Jaw Thrust

O estabelecimento precoce de uma via aérea patente e segura é um princípio básico e imprescindível no suporte a vida. Para um adequado acesso às vias aéreas é necessário entender às condições do paciente, o cenário clínico no qual ele se encontra e quais as habilidades do profissional que irá atendê-lo.

A obstrução das vias aéreas pode ser apresentada de duas formas, quando compromete às vias aéreas superiores se estendendo nariz ou da boca até a laringe enquanto que a obstrução das vias aéreas inferiores estar relacionada à árvore traqueobrônquica.

Classificação

A obstrução das vias aéreas pode ser classificada como parcial ou completa, dependendo do mecanismo e causa.

Uma obstrução completa causará hipóxia e parada cardíaca rapidamente, enquanto que a obstrução parcial pode ser mais enganosa no início, porém com a ventilação reduzida no paciente pode levar a hipercapnia, acidose respiratória e hipoxemia.

Podemos classificar uma respiração com a presença de ruídos como uma via aérea parcialmente obstruída enquanto que a ausência completa de ruído, indica uma obstrução total.

Manejo de Vias Aéreas

Jaw Thrust

Também conhecida como tração mandibular, essa manobra serve para anteriorizar o osso hioide e a língua para longe da parede faríngea. É utilizada em pacientes inconscientes, pois a hipotonia da língua pode obstruir a hipofaringe.

Para corrigir prontamente essa forma de obstrução, é indicado pelos profissionais de saúde utilizarem as manobras de Jaw Thrust ou Chin Lift.

Inicialmente, em pacientes com suspeita de trauma na cabeça, pescoço ou face, a coluna cervical deve ser mantida em uma posição estável, uma vez que a manobra de tração mandibular permite que o profissional limpe as vias aéreas com pouco ou nenhum movimento da cabeça e da coluna cervical.

Por isso, a técnica consiste em primeiro certificar-se da estabilidade da coluna cervical, em seguida deve-se colocar os polegares em cima do osso zigomático em ambos os lados da face e os dedos indicadores e médio no ângulo da mandíbula, tracionando-a para a frente.

A manobra de Jaw Thrust apresenta desvantagens em pacientes com limitações de abertura bucal uma vez que a realização da tração mandibular será mais difícil.

Chin Lift

Também conhecida como elevação do mento é uma manobra simples para abrir e manter uma via aérea pérvia, sendo indicada em pacientes inconscientes. A técnica consiste em se posicionar de lado do paciente e colocar a palma de uma mão sobre a região frontal, empurrando suavemente para realizar uma hiperextensão da cabeça.

Os dedos da outra mão do socorrista devem ser colocados sob a região de sínfise mandibular da vítima levantando o queixo para frente, pois como a língua tem alguns de seus músculos inseridos na mandíbula, ela é tracionada para anterior e para longe da parede posterior da laringe, estabelecendo assim uma via aérea patente.

Essa manobra é contra indicada em paciente politraumatizado de face com possível lesão cervical, pois esse movimento pode aumentar os riscos de danos às vértebras e a medula espinhal da vítima.

Referências:

  1. American Society of Anesthesiologists (2003). Practice guidelines of management of the difficult airway: anupdated report. Anesthesiology, 118(2), 1269 – 1277.
  2. ATLS -Advanced Trauma Life Support (2018). American College of Surgeons, 10º ed. Bailey, D., Goldenberg, D. (2019). Surgical anatomy of the larynx. Operative techniques inotolaryngology – Head and neck surgery, 30(4), 232 – 236.
  3. Bribriesco, A., Patterson, G. A. (2018). Cricothyroid approach for emergency access to the airway.Thorac surg clin, 28(3), 435 – 440.
  4. Brown III, C. A., Sakles, J. C., & Mick, N. W. (2018). The Walls manual of emergency airwaymanagement. 5. ed. Philadelphia: Wohers Kluwer.
  5. Ebrahimi, M., Mirhaghi, A. (2019). Heimlich Maneuver Complications: A Systematic Review. Eurasian J Emerg Med., 18(3), 157- 165.
  6. Frennessy, P. et al. (2019). Emergency cricothyroidotomy: an observational study to estimate optimal incision position and length. British Journal of anaesthesia, 122(2), 263 – 268.
  7. Furlow, P. W., Mathisen, D. J. (2018). Surgical anatomy of the trachea. Ann cardiothorac Surg, 7(2), 255 – 260.
  8. Gray, H., Goss, C. M. (1988).Anatomia. Guanabara Koogan, 29ed.
  9. Heimlich, H. (1975). A life – saving maneuver to prevent food – choking. JAMA, 234(4), 398 –401.
  10. Herman, A. et al. (2018). Heimlich maneuver – induced diaphragmatic rupture and hiatal hernia. The american journal of the medical sciences, 355(4), 13.
  11. Heymans, F. et al. (2016). Emergency cricothyrotomy performed by surgical airway – naive medicalpersonnel. Anesthesiology, 125(2), 295 – 303.
  12. Hungria, H. (1991). Otorrinolaringologia. Guanabara Koogan, Rio de janeiro, 6º ed., 5 – 13.
  13. Ichikawa, M. et al. (2017). Influence of body position during Heimlich maneuver to relieve subpharyngealobstruction: a manikin study. Acute Med Surg, 4(1), 418-425.
  14. Kligerman, M. P. et al. (2020). Tracheostomy complications in the emergency de department: Anationalanalysis of 38,271 cases. ORL, 82(2), 1-8.
  15. Kovacs, G., Sowers, N. (2018). Airway management in trauma. Emerg Med Clin N Am, 36(1), 61 – 84.
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  17. Macêdo, M. B. et al. (2016). Emergency cricothyrotomy: temporary measure or definitive airway? A systematic review. Rev. Col. Bras. Cir., 43(6), 493- 499.
  18. Malamed, S. F. (2015). Medical emergencies in the dental office. Elsevier, 7º ed.
  19. Mehran, R. J. Fundamental and practical aspects of airway anatomy. Thorac Surg Clin., 28(2),117-125.

Ferimentos Por Arma (FAF e FAB)

A violência com armas branca e de fogo é um problema de saúde pública, pela magnitude das repercussões na longevidade e na qualidade de vida dos cidadãos, e ainda pelos  levados gastos públicos decorrentes deste problema, seja pela segurança ou atenção à saúde.

De acordo com a legislação brasileira, armas são definidas como artefatos que têm por objetivo causar dano, permanente ou não, a seres vivos e coisas.

Arma branca é definida como artefato cortante ou perfurante, normalmente constituído por peça em lâmina ou oblonga. Arma de fogo é definida como arma que arremessa projéteis empregando a força expansiva dos gases gerados pela combustão de um propelente confinado em uma câmara que, normalmente, está solidária a um cano que tem a função de propiciar continuidade à combustão do propelente, além de direção e estabilidade ao projétil.

Os traumas, por ferimento por arma branca (FAB), são pouco descritos, quando comparados com ferimentos por arma de fogo (FAF), porém, não menos importantes, pelo aumento de sua frequência, conforme há o crescimento populacional, a violência civil e os crimes passionais, associados ao maior controle e dificuldade em se adquirir arma de fogo, quando comparado com arma branca.

Escore de Trauma Revisado (RTS)

Existem diversos índices de trauma, com diferentes níveis de complexidade para aplicação prática. O Escore de Trauma Revisado (RTS) é largamente utilizado pelos serviços de emergência em todo o mundo. Este escore é classificado como fisiológico, uma vez que leva em consideração parâmetros das funções vitais do paciente.

No RTS são analisados três parâmetros: avaliação neurológica pela Escala de Coma de Glasgow (ECG), avaliação hemodinâmica pela pressão arterial sistólica (PAS) e frequência respiratória (FR).

Os valores das variáveis devem ser ponderados e somados, mediante a fórmula: RTS = 0,9368 x ECGv + 0,7326 x PASv + 0,2908 x FRv, onde v é o valor (de 0 a 4) correspondente às variáveis na admissão do paciente.

Dessa maneira, o RTS poderá variar de 0 a, aproximadamente, 8, permitindo frações. Quanto maior o valor final, melhor será o prognóstico, sendo possível o conhecimento da probabilidade de sobrevida.

Cuidados de Enfermagem

  • Utilizar condutas para ferimento fechados ou abertos dependendo do tipo de lesão causada pela arma de fogo;
  • Sendo exposto o ferimento para inspeção;
  • Controle do sangramento;
  • Limpeza de superfície da lesão e proteção com gaze estéril;
  • Os orifícios de entrada e saída do projétil igualmente protegido;
  • Avaliar a necessidade de reanimação da vítima;
  • Manter vias aéreas pérvias;
  • prevenir estado de choque, ou tratar se já estiver instalado e imobilizar a coluna se o ferimento for na cabeça, pescoço, tórax ou abdômen.

Referências:

  1. ALVAREZ, Bruno Durante et al. Analysis of the Revised Trauma Score (RTS) in 200 victims of different trauma mechanisms. Rev do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, 43 (5): 334-340, 2016.
  2. ALVES, Elizângela; MESQUITA, Wiliany; TELES, Naracélia. Situações enfrentadas pelos enfermeiros no serviço de atendimento pré-hospitalar. Rev Diálogos Acadêmicos, 3 (2): 102-108, 2016.
  3. ANUÁRIO BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. São Paulo, 2015. 156 p. BORGES, Lucienne Martins; LODETTI, Mariá Boeira; GIRARDI, Júlia de Freitas. Homicídios conjugais: o que dizem os processos criminais. Psicol. argum, 32 (2):197-208, 2014.
  4. BRASIL. Decreto nº 3.665, de 20 de novembro de 2000. Dá nova redação ao Regulamento para a Fiscalização de Produtos Controlados. Diário Oficial, Brasília, DF, 21 nov. 2000.
  5. BRASIL. DEPARTAMENTO DE INFORMÁTICA DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (DATASUS). Sistema de informação sobre mortalidade. Disponível em: <http://datasus.saude.gov.br/ >. BRASIL. Ministério da Saúde. Banco de dados do Sistema Único de Saúde – DATASUS. Informações de Saúde, Sistema de Informações sobre Mortalidade.
  6. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise de Situação de Saúde. Coordenação-Geral de Vigilância de Agravos e Doenças Não Transmissíveis. Coordenação de Vigilância, Prevenção e Controle de Violências e Acidentes. NOTA TÉCNICA Nº CDDANT/DASIS/SVS/MS. Sistema de Informação de Vigilância de Violências e Acidentes em Serviços Sentinela – VIVA (Notificação/Investigação Individual de Violência Doméstica, Sexual e/ou outras Violências; e Notificação de Acidentes e Violências em Unidades de Urgência e Emergência). Brasília: Ministério da Saúde; 2006. [Citado 2008 abr. 15].
  7. CABRAL, Amanda et al. Serviço de Atendimento Móvel de Urgência: um observatório dos acidentes de transportes terrestres em nível local. Revista Brasileira de Epidemiologia, 14 (1): 3-14, 2011.
  8. CARVALHO, Isabel Cristina Cavalcante Moreira; SARAIVA, Isabel Sá. Perfil das vítimas de trauma atendidos pelo serviço de atendimento móvel de urgência. Rev Interdisciplinar, 8(1):137-148, 2015.
  9. CARVALHO, Tânia et al. Caracterização de casos de homicídio em uma capital do nordeste brasileiro: 2003 a 2007. Rev da Rede de Enferm do Nordeste, 11(3), 2010.
    CASAGRANDE, Denise; STAMM, Bruna; LEITE, Marinês Tambara. Perfil dos atendimentos realizados por uma Unidade de Suporte Avançado do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) do Rio Grande do Sul. Scientia Medica, Porto Alegre, 23(3): 149-55, 2013.

Patologias de Urgência e Emergência

Mesmo com todos os cuidados e precauções, é possível que ocorra algum episódio clínico com você ou com alguém da sua família que necessite de cuidados de urgência e emergência. E diante de situações como essa, é importante que você saiba como agir corretamente.

Diferenças entre Urgência e Emergência

Urgência e Emergência: Conceitos Básicos

Patologias ou Situações de Urgência e Emergência

Situações de Emergência

Quando a pessoa necessita de assistência médica imediata, pois há risco potencial de morte, ela deve ser encaminhada ao plantão hospitalar:

  • Corte profundo;
  • Acidente de origem elétrica;
  • Picada ou mordida de animais peçonhentos;
  • Queimaduras;
  • Afogamentos;
  • Hemorragia;
  • Infarto do miocárdio;
  • Dificuldade respiratória;
  • Derrames (AVE/AVE), perda de função e/ou dormência nos braços e pernas;
  • Inconsciência/desmaio;
  • Intoxicação por alimento ou medicamento;
  • Hematêmese, hematúria ou enterorragia/melena;
  • Grave reação alérgica;
  • Febre alta permanente;
  • Convulsões, dores intensas no peito, abdômen, cabeça e outros;
  • Agressões físicas;
  • Acidentes de carro, moto, atropelamento e quedas.

Situações de Urgência

Pode ser entendida como uma situação clínica ou cirúrgica, sem risco de morte iminente, mas que, se não for tratada, pode evoluir para complicações mais graves, sendo necessário, assim como a emergência, o encaminhamento para o plantão hospitalar:

  • Fraturas;
  • Luxações;
  • Torções;
  • Asma brônquica em crise;
  • Feridas lácero-contusas (causadas pela compressão ou tração dos tecidos) sem grandes hemorragias;
  • Transtornos psiquiátricos;
  • Dor abdominal de moderada intensidade;
  • Retenção urinária em pacientes idosos;
  • Febre maior que 38 graus há pelo menos 48h que melhora com antitérmicos mas retorna antes de completarem-se 4h da tomada do antitérmico;
  • Mais de um episódio de vômito em até 12h.

Referência:

  1. ABCMED, 2020. Urgências e emergências médicas mais comuns. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1382073/urgencias-e-emergencias-medicas-mais-comuns.htm&gt;. Acesso em: 4 out. 2021.

RCP na Prática: O Que Fazer Primeiro

sequencia RCP

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 02/10/2026.

Em uma parada cardiorrespiratória, saber a ordem das ações é tão importante quanto executar cada manobra corretamente. A prioridade é reconhecer rapidamente a PCR, iniciar compressões de alta qualidade e disponibilizar o desfibrilador o quanto antes.

Reconheça a PCR sem perder tempo

Verifique a segurança da cena, avalie a responsividade e observe a respiração. Ausência de respiração normal ou presença de gasping deve levantar suspeita de PCR. Para profissionais de saúde, o pulso pode ser avaliado simultaneamente, mas a checagem não deve ultrapassar 10 segundos; se o pulso não for definitivamente identificado, inicie a RCP.

Em um cenário comum de atendimento, a diferença entre alguém dizer “ele está respirando estranho” e reconhecer que aquele gasping é uma respiração agônica pode mudar completamente a velocidade da resposta. Por isso, não espere uma ausência absoluta de movimentos respiratórios para começar as manobras.

C-A-B continua sendo a lógica da RCP

A sequência permanece baseada em C – circulação, A – via aérea e B – respiração, porque as compressões devem começar o mais rapidamente possível.

C — Compressões torácicas

Coloque a pessoa em superfície firme, posicione o calcanhar de uma mão no centro do tórax, sobre a metade inferior do esterno, e coloque a outra mão sobre a primeira. Mantenha os braços estendidos e faça compressões a 100–120 por minuto, com profundidade de pelo menos 5 cm, evitando ultrapassar 6 cm no adulto médio. Permita o retorno completo do tórax após cada compressão.

Quando houver mais de um profissional, o compressor deve ser substituído aproximadamente a cada 2 minutos, reduzindo a perda de qualidade por fadiga. As interrupções devem ser mínimas e justificadas por intervenções necessárias, como análise do ritmo ou desfibrilação.

A — Abertura da via aérea

Sem suspeita de trauma cervical, utilize a inclinação da cabeça com elevação do mento. Em trauma de cabeça e pescoço, a abertura da via aérea com tração da mandíbula é preferida inicialmente; se não for suficiente, a AHA 2025 reforça que a via aérea deve ser aberta com inclinação da cabeça e elevação do mento, pois manter a oxigenação e a ventilação é prioridade.

B — Ventilação

Na ausência de via aérea avançada, a RCP convencional utiliza ciclos de 30 compressões para 2 ventilações. Cada ventilação deve durar cerca de 1 segundo e produzir elevação visível do tórax, evitando tanto ventilação insuficiente quanto excessiva.

Quando uma via aérea avançada estiver instalada, as compressões podem continuar sem pausas para ventilação, com aproximadamente 1 ventilação a cada 6 segundos, ou 10 por minuto, conforme o contexto e o protocolo de suporte avançado.

Na prática, é comum observar a equipe concentrada em “ventilar bastante” enquanto as compressões ficam interrompidas por tempo excessivo. Em uma PCR, esse intervalo importa: a ventilação precisa ser eficaz, mas não deve transformar cada ciclo em uma longa pausa nas compressões.

D — Desfibrilação o mais cedo possível

Assim que o DEA ou desfibrilador estiver disponível, conecte-o e permita a análise do ritmo. Se houver indicação de choque, todos devem se afastar durante a desfibrilação e a RCP deve ser retomada imediatamente após o choque, começando pelas compressões, sem uma pausa adicional para nova checagem do ritmo. Se o ritmo não for chocável, reinicie imediatamente a RCP por aproximadamente 2 minutos antes da próxima análise.

A desfibrilação precoce e a RCP de alta qualidade continuam entre as intervenções mais importantes no atendimento da PCR.

E se houver retorno da circulação?

Após o retorno da circulação espontânea, o atendimento deixa de ser apenas uma sequência de compressões e passa para os cuidados pós-PCR, com avaliação de via aérea, respiração, circulação, oxigenação, pressão arterial, causa da parada e controle de temperatura, conforme o cenário clínico e o suporte disponível.

A antiga ideia de simplesmente colocar todo paciente que recuperou a consciência em “posição de recuperação” também precisa ser contextualizada. O posicionamento deve considerar consciência, respiração, risco de aspiração, trauma e necessidade de continuidade do atendimento avançado.

Cuidados de enfermagem

Durante a RCP, a equipe de enfermagem deve organizar o atendimento, manter compressões de qualidade, preparar e conectar o desfibrilador/DEA, auxiliar na ventilação e no controle da via aérea, providenciar acesso vascular conforme a competência profissional e protocolo, administrar medicamentos quando indicados e registrar horários, intervenções, ritmos, choques e resposta do paciente.

Em ambiente hospitalar, também é fundamental conferir previamente a disponibilidade e o funcionamento do carrinho de emergência, desfibrilador, dispositivos de ventilação e materiais necessários para uma resposta rápida. A composição e a organização devem seguir o protocolo institucional.

A RCP não é apenas “fazer massagem cardíaca”: é uma resposta coordenada, na qual compressões eficazes, desfibrilação quando indicada, ventilação adequada e redução das interrupções precisam acontecer de forma integrada.

Resumo para salvar

RCP na prática

  • Reconheça rapidamente a PCR
  • Faça compressões de alta qualidade
  • Use o DEA o mais cedo possível
  • Reduza as interrupções durante a RCP

Referências:

  1. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Part 7: Adult Basic Life Support: 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. 2025. American Heart Association – Adult Basic Life Support
  2. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Adult Basic Life Support Algorithm for Health Care Professionals. 2025. Algoritmo de SBV para profissionais de saúde
  3. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Part 9: Adult Advanced Life Support: 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. 2025. American Heart Association – Adult Advanced Life Support
  4. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU 192. Brasília, 2026. Ministério da Saúde – SAMU 192
  5. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Protocolo de Suporte Básico de Vida. Brasília: Ministério da Saúde. Atualizado em 23 abr. 2024. Protocolo de Suporte Básico de Vida

Picada de Animais Peçonhentos: Saiba o que fazer!

Acidentes por animais peçonhentos são aqueles provocados por picadas ou mordeduras de animais dotados de glândulas secretoras e aparelhos inoculadores de veneno.

Nos acidentes por mordidas de cobras, devemos sempre considerar como sendo de cobras venosas.

Sinais e sintomas

  • Pequena mordida na pele: pode parecer um ponto pequeno e descolorido;
  • Dor e inchaço, pode ser de desenvolvimento lento, na área da mordida;
  • Pulso rápido e respiração difícil;
  • Fraqueza;
  • Dificuldade visual;
  • Náusea e vômitos.

O que fazer?

  • Manter a vítima calma e deitada.
  • Localizar a marca da mordedura e limpar o local com água e sabão.
  • Cobrir com um pano limpo.
  • Remover anéis, pulseiras e outros objetos que possam garrotear, em caso de inchaço do membro afetado.
  • Evitar que a vítima se movimente para não favorecer a absorção do veneno.
  • Tentar manter a área afetada no mesmo nível do coração ou, se possível, abaixo dele.
  • Levar a vítima imediatamente ao serviço de saúde mais próximo, para receber o soro anti-ofídico.
  • Se possível, levar o animal para que seja identificado e para que a vítima receba o soro específico.

O que não fazer?

  • Não fazer torniquete, isto impede a circulação do sangue e pode causar gangrena ou necrose local.
  • Não cortar o local da ferida, para fazer ‘sangria’.
  • Não aplicar folhas, pó de café ou terra sobre a ferida, poderá provocar infecção.

Características

A ação do veneno pode provocar as seguintes reações:

  • Proteolítica: necrose tecidual (morte do tecido lesado) devido à decomposição das proteínas.
  • Neurotóxica: ação no sistema nervoso causando queda palpebral; formigamento no local afetado, alterações de consciência e perturbações visuais.
  • Hemolítica: destruição das hemáceas no sangue.
  • Coagulante: causa deficiência na coagulação sangüínea.

Como evitar acidentes?

  • Usar botas: Isto evita até 80% dos acidentes, pois as cobras picam do  joelho para baixo. Mas antes de calçá-las verificar se dentro não há cobras, aranhas e outros animais peçonhentos.
  • Proteger as mãos: Não enfiar as mãos em tocas, cupinzeiros, ocos de troncos etc. Usar um pedaço de madeira para verificar se não há animais.
  • Acabar com os ratos: A maioria das cobras alimentam-se de roedores.  Manter sempre limpos os terrenos, quintais e plantações evita atrais estes predadores.
  • Conservar o meio ambiente: O desmatamentos e queimadas, além de destruir a natureza, provocam mudanças de hábitos dos animais que se refugiam em celeiros ou mesmo dentro de casas. Também não se deve matar as cobras, pois elas contribuem com o equilíbrio ecológico.

Importante

O Instituto Butantan, no Brasil, fabrica soros específicos, usados na terapia de várias doenças causadas por animais peçonhentos. Esses soros são distribuídos nos Centros de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e, eventualmente, para todo o país.

Referências:

  1. Instituto Butantan

Mochilas de APH Saiba o Que Levar!

mochila

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 22/09/2026.

No atendimento pré-hospitalar, não basta ter uma mochila cheia: o material precisa estar organizado para ser encontrado rapidamente e compatível com o tipo de atendimento realizado. Em uma ocorrência crítica, perder tempo procurando um dispositivo de via aérea ou um acesso venoso também compromete a resposta da equipe.

As mochilas de Atendimento Pré-Hospitalar (APH) são utilizadas para transportar materiais, medicamentos e equipamentos necessários à assistência no local da ocorrência. A composição varia conforme o tipo de unidade, a equipe disponível, o perfil do serviço e os protocolos institucionais. Portanto, não existe uma única combinação nacional obrigatória de cores e conteúdos para todas as mochilas. A Nota Informativa nº 9/2024 do Ministério da Saúde deixou esse ponto mais claro ao estabelecer que a composição das maletas e mochilas deve considerar a equipe e os protocolos do serviço.

As cores das mochilas são universais?

Não. A divisão por cores pode ser adotada pelos serviços para facilitar a localização dos materiais, mas não deve ser apresentada como uma padronização nacional única.

A página antiga associava, por exemplo, a mochila verde aos medicamentos, a azul às vias aéreas, a vermelha ao acesso venoso e sinais vitais, a amarela a pequenas cirurgias e a laranja aos atendimentos traumáticos. Essa organização pode existir em determinados serviços, mas deve ser entendida como uma forma local de organização, e não como regra nacional para todo APH.

O que costuma ser organizado nas mochilas?

A organização depende da missão e do nível de suporte. Entre os materiais que podem integrar uma unidade de suporte básico estão dispositivos para avaliação dos sinais vitais, oxigenação, ventilação com ressuscitador manual, cânulas orofaríngeas, aspiração, acesso venoso, curativos, imobilização, proteção individual e atendimento obstétrico, além dos demais recursos definidos pelo protocolo do serviço.

Nas unidades de suporte avançado, a estrutura é ampliada de acordo com a complexidade do atendimento, podendo incluir equipamentos e materiais para manejo avançado das vias aéreas, monitorização, acesso vascular, infusão e outros procedimentos necessários ao suporte avançado de vida. A própria ambulância Tipo D possui requisitos específicos de equipamentos e materiais.

Um detalhe que faz diferença na prática é não confundir o conteúdo da mochila com o equipamento completo da ambulância. Oxigênio, monitor, desfibrilador, aspirador, maca e outros recursos podem estar instalados ou transportados separadamente, conforme a configuração da unidade.

A mochila deve estar pronta antes da ocorrência

A conferência precisa acontecer antes da saída, seguindo o checklist e o protocolo institucional. É necessário verificar quantidade, validade, integridade das embalagens, funcionamento dos equipamentos, condições das baterias e disponibilidade dos materiais essenciais.

Imagine uma equipe chegando a uma ocorrência de trauma e descobrindo somente naquele momento que determinada tala ou material de proteção está incompleto. O problema não é apenas a falta daquele item; é a falha de conferência que permitiu que a equipe chegasse ao local sem uma condição operacional adequada.

O Ministério da Saúde determina que a organização do APH esteja vinculada à regulação e que as unidades móveis tenham estrutura compatível com sua finalidade. A Nota Informativa nº 9/2024 também reforça a responsabilidade dos gestores pela organização, segurança e qualidade do serviço.

O conteúdo muda conforme o tipo de suporte

A Unidade de Suporte Básico (USB) atende situações de risco de vida conhecido ou desconhecido dentro de sua finalidade e conta com materiais destinados principalmente à avaliação, suporte básico, oxigenação, ventilação, controle de sangramento, imobilização e transporte seguro.

Já a Unidade de Suporte Avançado (USA) possui estrutura compatível com pacientes que necessitam de cuidados mais complexos, incluindo equipamentos para suporte avançado de vida e equipe específica. A Portaria GM/MS nº 2.048/2002 continua sendo uma referência normativa para essa organização e foi reafirmada pela Nota Informativa nº 9/2024.

E as mochilas de medicamentos?

Os medicamentos não devem ser definidos apenas pelo nome da mochila ou pela sua cor. A seleção deve obedecer aos protocolos do serviço, à modalidade de atendimento, à composição da equipe e às orientações da regulação médica quando aplicáveis.

Isso é particularmente importante porque o APH trabalha com situações muito diferentes entre si. Uma ocorrência pode exigir atendimento clínico, outra trauma, outra emergência cardiovascular ou obstétrica. A organização precisa permitir acesso rápido sem transformar a mochila em um conjunto fixo e universal de medicamentos.

Em uma ocorrência com paciente inconsciente, por exemplo, não adianta existir grande quantidade de materiais se o profissional precisa abrir vários compartimentos para encontrar o ressuscitador, o dispositivo de oxigenação ou o material necessário para monitorização. Organização e padronização local reduzem o tempo perdido durante a assistência.

Cuidados de enfermagem

A equipe de enfermagem deve conhecer a localização dos materiais e seguir o checklist definido pelo serviço. Na conferência, atenção especial para:

  • validade e integridade dos materiais;
  • funcionamento de equipamentos e baterias;
  • disponibilidade de dispositivos de via aérea e oxigenação;
  • materiais para acesso vascular e administração de medicamentos;
  • equipamentos de proteção individual;
  • materiais específicos para trauma, quando previstos;
  • reposição imediata após utilização;
  • registro das intercorrências e das necessidades de manutenção.

No APH, o técnico de enfermagem integra a equipe e presta cuidados dentro de sua qualificação profissional, sob supervisão do enfermeiro, conforme a organização prevista para o serviço. A Nota Informativa nº 9/2024 também destaca que, quando a unidade conta apenas com técnicos ou auxiliares de enfermagem, a Central de Regulação deve possuir enfermeiro para o matriciamento desses profissionais.

O que você precisa memorizar

Para prova e para a prática, guarde esta lógica: a mochila não é definida apenas pela cor; ela é definida pela finalidade do atendimento, pela estrutura da unidade e pelo protocolo do serviço.

O mais importante não é decorar uma lista encontrada na internet, porque ela pode não corresponder à realidade da sua unidade. É conhecer a localização dos materiais, conferir o equipamento antes da saída e saber rapidamente qual recurso utilizar diante da situação encontrada.

Resumo para salvar

Mochilas de APH Saiba o Que Levar

  • A composição depende do serviço e protocolo
  • As cores não são uma padronização nacional única
  • O conteúdo varia conforme o tipo de suporte
  • A conferência antes da ocorrência é essencial

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Nota Informativa nº 9/2024-CGURG/DAHU/SAES/MS. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: Nota Informativa nº 9/2024 – Ministério da Saúde. 
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 2.048, de 5 de novembro de 2002. Aprova o Regulamento Técnico dos Sistemas Estaduais de Urgência e Emergência. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2002. Disponível em: Portaria GM/MS nº 2.048/2002. 
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. SAMU 192 – Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: SAMU 192 – Ministério da Saúde. 
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria de Consolidação GM/MS nº 3, de 28 de setembro de 2017. Consolidação das normas sobre as redes do Sistema Único de Saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2017. Disponível em: Legislação do Ministério da Saúde.