O Pequeno Grande Desafio: Compreendendo a Anatomia do Recém-Nascido

O nascimento representa uma das maiores transições fisiológicas da vida humana. Em poucos minutos, o recém-nascido deixa um ambiente protegido e completamente dependente da circulação materna para adaptar-se a um mundo onde precisará respirar, manter sua temperatura corporal, alimentar-se e realizar inúmeras funções de forma independente.

Durante esse período, o corpo do bebê apresenta características anatômicas e fisiológicas muito diferentes das observadas em crianças maiores e adultos. Muitas dessas diferenças são completamente normais e desaparecem ao longo dos primeiros meses ou anos de vida.

Para a equipe de enfermagem, compreender a anatomia do recém-nascido é indispensável. Esse conhecimento auxilia na avaliação física, identificação precoce de alterações, realização de procedimentos, orientação aos pais e prestação de uma assistência segura e humanizada.

Neste artigo, você conhecerá detalhadamente a anatomia do recém-nascido, entendendo as principais características de cada sistema do organismo, suas diferenças em relação ao adulto e os cuidados de enfermagem mais importantes.

O que é considerado um recém-nascido?

Recém-nascido (RN) é toda criança desde o nascimento até completar 28 dias de vida.

Esse período também é chamado de período neonatal e pode ser dividido em:

  • Neonatal precoce: nascimento até o 7º dia de vida.
  • Neonatal tardio: do 8º ao 28º dia de vida.

É justamente nessa fase que ocorrem as maiores adaptações do organismo.

Características gerais do recém-nascido

Ao nascer, o bebê apresenta diversas características anatômicas próprias.

Em média, um recém-nascido a termo apresenta:

  • Peso: entre 2.500 g e 4.000 g
  • Comprimento: entre 48 e 52 cm
  • Perímetro cefálico: cerca de 33 a 37 cm
  • Frequência cardíaca: 100 a 160 bpm
  • Frequência respiratória: 30 a 60 incursões por minuto

Esses valores podem sofrer pequenas variações conforme idade gestacional, sexo e condições clínicas.

Anatomia da cabeça

A cabeça do recém-nascido é proporcionalmente muito maior que a do adulto. Enquanto em um adulto ela representa cerca de 12% da altura corporal, no recém-nascido corresponde a aproximadamente um quarto do comprimento total do corpo.

Essa característica facilita a passagem pelo canal de parto e acompanha o rápido crescimento cerebral nos primeiros anos de vida.

Fontanelas

As fontanelas são espaços membranosos entre os ossos do crânio. Popularmente são conhecidas como “moleiras”.

Sua função é permitir:

  • passagem pelo canal de parto;
  • crescimento do cérebro;
  • acomodação dos ossos cranianos.

Fontanela anterior

É a maior. Possui formato losangular. Normalmente fecha entre 9 e 18 meses.

Fontanela posterior

É menor, possui formato triangular. Costuma fechar entre 6 e 8 semanas, podendo ocorrer até aproximadamente 2 a 3 meses de vida.

Suturas cranianas

São articulações fibrosas que unem os ossos do crânio. No nascimento permanecem abertas para permitir:

  • crescimento cerebral;
  • acomodação durante o parto.

Cavalgamento craniano

Após parto vaginal, os ossos podem sobrepor-se temporariamente. Esse fenômeno chama-se cavalgamento. É considerado normal e desaparece espontaneamente em poucos dias.

Olhos

Os olhos apresentam algumas particularidades.

O recém-nascido:

  • enxerga melhor entre 20 e 30 cm de distância;
  • reconhece rostos;
  • acompanha objetos lentamente;
  • possui reflexo fotomotor presente.

Pequenos estrabismos transitórios podem ocorrer nos primeiros meses devido à imaturidade da musculatura ocular.

Nariz

O recém-nascido é considerado um respirador predominantemente nasal.

Por isso:

Pequenas obstruções nasais podem causar desconforto importante durante a alimentação.

Boca

Na cavidade oral destacam-se:

Reflexo de sucção

Essencial para alimentação.

Reflexo de procura

Ao tocar a bochecha, o bebê vira automaticamente a cabeça procurando o mamilo.

Pérolas de Epstein

Pequenos cistos esbranquiçados presentes no palato. São benignos e desaparecem espontaneamente.

Pescoço

O pescoço é curto e apresenta musculatura pouco desenvolvida. Por esse motivo:

O recém-nascido ainda não consegue sustentar a cabeça. Durante o manuseio, a cabeça deve sempre ser apoiada.

Tórax

O tórax apresenta formato praticamente cilíndrico, e as costelas permanecem quase horizontais. Isso limita a expansão pulmonar.

A respiração depende principalmente do movimento do diafragma.

Sistema respiratório

O pulmão neonatal ainda está em adaptação.

Após o nascimento ocorre:

  • expansão dos alvéolos;
  • eliminação do líquido pulmonar fetal;
  • início da respiração aérea.

Características importantes:

  • frequência respiratória elevada;
  • respiração predominantemente abdominal;
  • pausas respiratórias curtas podem ocorrer sem representar doença.

Sistema cardiovascular

Logo após o nascimento ocorrem mudanças profundas na circulação e durante a vida fetal existem estruturas que desviam o sangue dos pulmões.

Após o nascimento começam a fechar-se:

  • forame oval;
  • ducto arterioso;
  • ducto venoso.

Essas alterações estabelecem a circulação definitiva.

Abdome

O abdome do recém-nascido é arredondado.

Isso ocorre porque:

  • musculatura abdominal é pouco desenvolvida;
  • fígado é proporcionalmente maior.

Fígado

O fígado ocupa grande parte da cavidade abdominal. Pode ser palpado cerca de 1 a 2 cm abaixo do rebordo costal direito, o que costuma ser considerado um achado fisiológico no RN.

É responsável por:

  • metabolismo;
  • produção de proteínas;
  • armazenamento de glicogênio;
  • produção de fatores de coagulação.

Sua imaturidade contribui para a icterícia fisiológica.

Sistema digestório

O trato gastrointestinal encontra-se funcional. Entretanto ainda apresenta imaturidade.

Características importantes:

  • pequena capacidade gástrica;
  • esvaziamento rápido;
  • maior ocorrência de refluxo fisiológico;
  • evacuação frequente.

Mecônio

É a primeira evacuação do bebê.

Possui coloração:

  • verde-escura;
  • negra;
  • aspecto viscoso.

É composto por:

  • células intestinais;
  • líquido amniótico;
  • bile;
  • secreções digestivas.

Normalmente é eliminado nas primeiras 24 horas de vida.

Sistema urinário

Os rins ainda apresentam maturação funcional. O recém-nascido costuma urinar nas primeiras 24 horas.

Apresenta:

  • menor capacidade de concentração urinária;
  • maior sensibilidade à desidratação.

Cordão umbilical

O cordão umbilical contém:

  • duas artérias umbilicais;
  • uma veia umbilical.

Após o nascimento:

  • sofre ressecamento;
  • escurece;
  • cai entre o 7º e o 15º dia, podendo ocorrer um pouco antes ou depois desse período.

Pele

A pele neonatal é extremamente delicada. Características comuns incluem:

Vérnix caseoso

Substância branca e gordurosa, protege a pele durante a gestação. Possui ação hidratante e antimicrobiana.

Não deve ser removida de forma rotineira logo após o nascimento.

Lanugo

Finos pelos que recobrem principalmente:

  • ombros;
  • costas;
  • face.

Desaparecem espontaneamente.

Mancha mongólica

Área azul-acinzentada geralmente localizada na região lombossacra. É benigna e não representa hematoma.

Eritema tóxico neonatal

Pequenas manchas avermelhadas com pápulas, sendo muito comum. Desaparece espontaneamente.

Sistema musculoesquelético

O recém-nascido apresenta:

  • músculos pouco desenvolvidos;
  • ossos flexíveis;
  • grande quantidade de cartilagem.

A postura típica é em flexão devido à posição intrauterina.

Quadris

A avaliação neonatal inclui pesquisa de displasia do desenvolvimento do quadril.

Entre os testes clínicos destacam-se:

  • Manobra de Ortolani.
  • Manobra de Barlow.

Membros

Os membros apresentam:

  • flexão fisiológica;
  • movimentos espontâneos;
  • simetria.

A ausência de movimentação pode indicar lesão neurológica ou fratura obstétrica.

Sistema nervoso

O cérebro do recém-nascido cresce rapidamente. Embora funcional, permanece imaturo e diversos reflexos primitivos estão presentes.

Principais reflexos neonatais

Reflexo de Moro

Resposta ao susto. O bebê abre os braços e depois os aproxima.

Reflexo de sucção

Fundamental para alimentação.

Reflexo de procura

Auxilia a localizar o mamilo.

Reflexo de preensão palmar

Ao tocar a palma da mão, o bebê fecha os dedos.

Reflexo de marcha automática

Quando sustentado em pé sobre uma superfície, realiza movimentos semelhantes aos da marcha.

Reflexo tônico cervical

Também conhecido como “posição de esgrimista”.

Genitália

Meninos

Podem apresentar:

  • hidrocele fisiológica;
  • fimose fisiológica;
  • testículos palpáveis no escroto.

A fimose é considerada normal nessa fase e não deve ser forçada.

Meninas

Podem apresentar:

  • hipertrofia dos pequenos lábios;
  • secreção vaginal esbranquiçada;
  • pequeno sangramento vaginal fisiológico devido à queda dos hormônios maternos.

Esses achados costumam desaparecer espontaneamente.

Sistema imunológico

O sistema imunológico ainda está em desenvolvimento e grande parte da proteção inicial vem dos anticorpos maternos (IgG), transferidos através da placenta durante a gestação.

Após o nascimento, o leite materno, especialmente o colostro, fornece imunoglobulina A (IgA), lactoferrina e outros fatores que fortalecem a imunidade e ajudam na proteção contra infecções.

Diferenças entre recém-nascido e adulto

Característica Recém-nascido Adulto
Cabeça Proporcionalmente maior Menor proporcionalmente
Fontanelas Presentes Ausentes
Respiração Predominantemente abdominal Toracoabdominal
Pele Fina e delicada Mais espessa
Ossos Mais cartilaginosos Totalmente ossificados
Estômago Pequena capacidade Grande capacidade
Sistema imunológico Imaturo Maduro
Temperatura corporal Maior dificuldade para manter Melhor controle térmico

Cuidados de enfermagem

A enfermagem desempenha papel fundamental na avaliação e nos cuidados com o recém-nascido. Entre os principais cuidados estão:

  • Realizar avaliação física completa logo após o nascimento, observando pele, cabeça, fontanelas, olhos, boca, tórax, abdome, genitália e membros.
  • Monitorar sinais vitais, incluindo frequência cardíaca, frequência respiratória, temperatura e saturação de oxigênio quando indicada.
  • Avaliar a eficácia da sucção e incentivar o aleitamento materno na primeira hora de vida.
  • Manter o recém-nascido aquecido, utilizando estratégias como contato pele a pele, secagem imediata após o nascimento e controle da temperatura ambiente.
  • Inspecionar diariamente o coto umbilical, mantendo-o limpo e seco e orientando os pais quanto aos cuidados domiciliares.
  • Observar a eliminação do mecônio e da primeira urina, registrando alterações.
  • Monitorar sinais de icterícia, desidratação, dificuldade respiratória ou alterações neurológicas.
  • Realizar medidas preventivas recomendadas, como administração de vitamina K e profilaxia ocular, conforme protocolos institucionais.
  • Orientar os familiares sobre higiene, posição segura para dormir (decúbito dorsal), amamentação, sinais de alerta e importância do acompanhamento pediátrico.

Você sabia?

O cérebro do recém-nascido corresponde a aproximadamente 25% do tamanho do cérebro adulto e apresenta crescimento extremamente acelerado nos primeiros anos de vida. O coração do recém-nascido bate muito mais rápido que o de um adulto, podendo atingir até 160 batimentos por minuto em condições fisiológicas.

Um bebê nasce com cerca de 270 ossos, número maior que o do adulto. Com o crescimento, muitos desses ossos se fundem, resultando nos 206 ossos do esqueleto adulto. O olfato e a audição já estão bastante desenvolvidos ao nascimento, permitindo que o bebê reconheça a voz e o cheiro da mãe desde os primeiros dias de vida.

A anatomia do recém-nascido apresenta características únicas que refletem a adaptação do organismo à vida extrauterina. Conhecer essas particularidades é essencial para diferenciar achados fisiológicos de possíveis alterações patológicas, garantindo uma assistência segura e baseada em evidências.

Para estudantes e profissionais de enfermagem, compreender a anatomia neonatal facilita a realização da avaliação física, o reconhecimento precoce de sinais de risco, a execução correta dos cuidados e a orientação adequada aos pais e cuidadores. Esse conhecimento é um dos pilares para a promoção de um início de vida saudável e para a redução da morbimortalidade neonatal.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção à saúde do recém-nascido: guia para os profissionais de saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2011. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br
  2. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne G. Fundamentos de Enfermagem. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
  3. TORTORA, Gerard J.; DERRICKSON, Bryan. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 15. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.
  4. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA (SBP). Manual de Neonatologia. Rio de Janeiro: SBP. Disponível em: https://www.sbp.com.br
  5. CLOHERTY, J. P.; EICHENWALD, E. C.; HANSEN, A. R.; STARK, A. R. Manual de Neonatologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.
  6. MARTIN, R. J.; FANAROFF, A. A.; WALSH, M. C. Fanaroff and Martin’s Neonatal-Perinatal Medicine. 12. ed. Philadelphia: Elsevier, 2024.
  7. MOORE, K. L.; DALLEY, A. F.; AGUR, A. M. R. Anatomia Orientada para a Clínica. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2024.
  8. BRUNNER, L. S.; SUDDARTH, D. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 15. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.

Febre em Crianças: O Que Muda Com a Nova Diretriz da SBP?

Recentemente, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) atualizou suas diretrizes para a abordagem da febre em crianças, trazendo clarezas importantes que impactam diretamente a prática clínica, o manejo de sintomas e a segurança na assistência em enfermagem.

Neste artigo, vamos explorar o que mudou, como interpretar os novos parâmetros e quais condutas de enfermagem são indicadas com base nas recomendações oficiais publicadas em maio de 2025.

Por que essa atualização foi necessária?

A febre é o sintoma que mais frequentemente motiva as famílias a procurarem atendimento pediátrico – estima-se que apareça em 20% a 30% das consultas.

No entanto, muitas vezes a febre é entendida de maneira equivocada, gerando ansiedade desnecessária. A SBP percebeu esse cenário e repensou as orientações, valorizando o conforto da criança em vez de um valor numérico, apontando que:

  • Febre não é doença, e sim um sinal de que há algo acontecendo.
  • Não há número de termômetro que defina quando medicar — o critério principal é o desconforto da criança .

Qual o novo valor para temperatura em crianças?

As faixas de referência para definição de febre foram mantidas como:

  • Axilar: > 37,5 °C
  • Auricular: acima de 37,8 °C a 38 °C
  • Oral: acima de 37,5 °C a 37,8 °C
  • Retal: acima de 38 °C a 38,3 °C

A grande mudança, porém, está na orientação de quando usar antitérmicos. A SBP reforça que:

  • Os antitérmicos (paracetamol, ibuprofeno e dipirona) devem ser usados quando a febre vier acompanhada de desconforto significativo — como irritabilidade intensa, recusa alimentar, sono prejudicado, fraqueza ou alteração no comportamento/nível de atividade.
  • Não se deve administrar baseado apenas em um número (por exemplo, 38 °C ou 39 °C), mas sim observando o quadro clínico global .

Como a enfermagem deve agir?

Avaliação do conforto da criança

O enfermeiro deve avaliar se a criança está com sinais de desconforto ou mudança de comportamento — choro persistente, inapetência, indisposição, sono excessivo ou agitação. Esses sinais valem mais do que a febre isolada.

Medição adequada da temperatura

A SBP recomenda:

  • Termômetro digital axilar em todas as idades;
  • Termômetro auricular (infravermelho) para crianças acima de 1 mês.

Evitar o uso de termômetros de mercúrio por risco de contaminação.

Critérios para administração de antitérmicos

O enfermeiro segue a prescrição considerando:

  • Se a criança demonstra mal-estar significativo
  • Optar por aplicar apenas um antitérmico, não alternar entre eles, evitando riscos de dosagem incorreta.

Suporte geral

  • Manter boa hidratação, oferecer líquidos com frequência
  • Aliviar o desconforto sem necessariamente medicar (retirar agasalhos, favorecer ventilação ambiente)
  • Acompanhar sinais vitais: frequência cardíaca, respiratória, enchimento capilar, estado de hidratação e saturação de oxigênio.

Orientação e registro

  • Explicar à família que febre é um sinal de alerta, não o diagnóstico
  • Orientar sobre sinais de alarme (irritabilidade intensa, apatia, vômitos persistentes, dificuldade respiratória)
  • Registrar detalhadamente: valores, sintomas associados e condutas

Casos de alerta

A SBP destaca que, além da febre, a atenção deve recair para:

  • Crianças menores de 3 meses com febre ≥ 38 °C ou temperatura ≤ 35,5 °C
  • Qualquer idade com distúrbio grave no estado geral, sinais neurológicos, dificuldade respiratória, vômitos persistentes ou sinais de desidratação.

Nesses casos, a internação e investigação rápida são indicadas.

A atualização da SBP representa um avanço importante: tirar o foco do termômetro e colocar no bem-estar da criança. Isso ajuda a reduzir a “febrefobia”, diminui o uso desnecessário de medicamentos e reforça o papel essencial da enfermagem na avaliação completa do paciente pediátrico.

Para estudantes e profissionais de enfermagem, esse novo entendimento é um convite para atuar com mais sensibilidade, técnica e segurança — adotando um cuidado verdadeiramente centrado na criança.

Referências:

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Infectologia. Abordagem da Febre Aguda em Pediatria e Reflexões sobre a febre nas arboviroses. Rio de Janeiro: SBP, 16 maio 2025. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2025/maio/16/24896f-DC_-Abordag_Febre_Aguda_em_Pediatria_e_Reflexoes_VIRTUAL.pdf
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Manejo da febre aguda. Rio de Janeiro: SBP, 2021. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/23229c-DC_Manejo_da_febre_aguda.pdf
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. “Febre: cuidado com a febrefobia”. Rio de Janeiro: SBP, 2025. Disponível em: https://www.sbp.com.br/pediatria-para-familias/cuidados-com-a-saude/febre-cuidado-com-a-febrefobia/

Emergências Pediátricas

Para quem escolhe a enfermagem pediátrica, o cuidado com os pequenos é uma arte delicada e, por vezes, desafiadora.

E em pediatria, algumas situações acendem um sinal de alerta máximo: as emergências pediátricas.

Nesses momentos, cada segundo conta e a nossa capacidade de reconhecer os sinais precocemente e agir de forma rápida e eficaz pode fazer toda a diferença entre a vida e a morte. Se você está trilhando esse caminho, prepare-se para conhecer algumas dessas patologias que exigem uma resposta imediata e os cuidados de enfermagem cruciais em cada cenário.

Quando o Tempo Urge: A Gravidade das Emergências Pediátricas

As crianças, com sua fisiologia e capacidade de comunicação ainda em desenvolvimento, podem apresentar quadros clínicos graves de forma rápida e, por vezes, silenciosa. A deterioração pode ser súbita e a janela de intervenção, estreita.

Por isso, o olhar atento, a avaliação criteriosa e o conhecimento das principais emergências pediátricas são ferramentas indispensáveis para nós, futuros profissionais de enfermagem. Reconhecer os sinais de perigo e priorizar o atendimento adequado são os primeiros passos para garantir o melhor desfecho para nossos pequenos pacientes.

Dificuldade para Respirar: O Sufoco que Não Espera

A insuficiência respiratória aguda é uma das emergências pediátricas mais comuns e graves. As vias aéreas menores e a menor reserva fisiológica tornam as crianças mais vulneráveis a quadros que comprometem a oxigenação e a ventilação. Diversas condições podem levar a essa emergência:

  • Crise de Asma Grave: A obstrução das vias aéreas por broncoespasmo, inflamação e hipersecreção de muco causa dificuldade respiratória intensa, com chiado no peito, tosse persistente, uso da musculatura acessória (batimento de asa de nariz, retração intercostal e supraesternal) e cianose (coloração azulada da pele e mucosas). Nossos cuidados aqui incluem: manter a criança em posição confortável (geralmente sentada ou semi-sentada), administrar oxigênio suplementar conforme prescrição médica, monitorizar continuamente a frequência respiratória, a frequência cardíaca e a saturação de oxigênio, auxiliar na administração de broncodilatadores de curta ação (como salbutamol) por via inalatória e estar preparado para auxiliar em procedimentos mais invasivos, como intubação orotraqueal, se necessário.
  • Bronquiolite Grave: Principalmente em lactentes, a infecção viral dos bronquiolos causa inflamação e obstrução das pequenas vias aéreas, levando a taquipneia (respiração rápida), sibilância, tosse, irritabilidade, dificuldade para se alimentar e, em casos graves, apneia (parada respiratória). Os cuidados de enfermagem envolvem: monitorizar os sinais vitais e a saturação de oxigênio, manter a criança em posição elevada, oferecer pequenas quantidades de líquidos por via oral se tolerado, aspirar secreções nasais para facilitar a respiração e administrar oxigênio suplementar conforme prescrito. Em casos graves, pode ser necessária ventilação não invasiva ou invasiva.
  • Pneumonia Grave: A infecção do parênquima pulmonar pode levar à insuficiência respiratória, especialmente em crianças pequenas. Os sinais incluem febre alta, tosse, taquipneia, batimento de asa de nariz, retração torácica e, em casos graves, cianose e gemido expiratório. Nossos cuidados incluem: monitorizar os sinais vitais e a saturação de oxigênio, administrar oxigênio suplementar, manter a criança em posição confortável, auxiliar na administração de antibióticos conforme prescrito e incentivar a hidratação.
  • Obstrução de Vias Aéreas por Corpo Estranho (OVACE): A aspiração de pequenos objetos é um risco em crianças, especialmente as menores. A obstrução pode ser parcial (com tosse eficaz) ou total (com incapacidade de tossir, falar ou respirar, cianose e perda de consciência). Nossa ação imediata é crucial: em caso de obstrução total em lactentes, realizar a manobra de Heimlich adaptada (compressões torácicas e golpes nas costas); em crianças maiores, realizar a manobra de Heimlich abdominal. Estar preparado para auxiliar em laringoscopia e remoção do corpo estranho, se necessário.

O Coração em Perigo: Emergências Cardiovasculares Pediátricas

Embora menos comuns que as respiratórias, as emergências cardiovasculares em pediatria exigem reconhecimento e intervenção rápidos:

  • Choque Séptico: A infecção grave pode levar a uma resposta inflamatória sistêmica intensa, resultando em disfunção orgânica e choque. Os sinais incluem febre (ou hipotermia), taquicardia, taquipneia, pele fria e pegajosa, livedo reticular (manchas na pele), oligúria (diminuição da produção de urina) e alteração do estado mental. Nossos cuidados são: monitorizar continuamente os sinais vitais (incluindo pressão arterial invasiva, se instalada), garantir acesso venoso rápido para administração de fluidos e medicamentos vasoativos conforme prescrição médica, administrar antibióticos de amplo espectro o mais rápido possível, monitorizar o débito urinário e a perfusão periférica e oferecer suporte ventilatório, se necessário.
  • Choque Hipovolêmico: A perda significativa de volume sanguíneo (por desidratação grave, hemorragia) leva à diminuição da perfusão tecidual. Os sinais incluem taquicardia, extremidades frias, pulsos periféricos filiformes, enchimento capilar lento, oligúria e alteração do estado mental. Nossos cuidados envolvem: garantir acesso venoso rápido para reposição volêmica agressiva conforme prescrição médica, monitorizar os sinais vitais e a perfusão periférica e identificar e tratar a causa da perda de volume.

A Mente em Crise: Emergências Neurológicas na Infância

As emergências neurológicas em pediatria podem ter diversas causas e exigem avaliação e intervenção rápidas:

  • Crise Convulsiva Aguda: Uma convulsão prolongada (geralmente > 5 minutos) ou crises repetidas sem recuperação da consciência entre elas (estado de mal epiléptico) é uma emergência. Nossos cuidados incluem: proteger a criança de lesões, manter as vias aéreas permeáveis (lateralizar a cabeça, se necessário), monitorizar os sinais vitais e a saturação de oxigênio, administrar benzodiazepínicos por via intravenosa conforme prescrição médica e estar preparado para auxiliar em intubação orotraqueal se a convulsão não cessar ou houver comprometimento respiratório.
  • Meningite/Encefalite: A infecção do sistema nervoso central pode levar a um quadro grave com febre, cefaleia intensa, rigidez de nuca, fotofobia, irritabilidade, letargia, convulsões e alteração do estado mental. Nossos cuidados envolvem: monitorizar os sinais vitais e o estado neurológico, manter a criança em ambiente calmo e com pouca luz, administrar antibióticos e antivirais conforme prescrição médica e estar atento a sinais de aumento da pressão intracraniana.

O Abdome Agudo: Dor que Clama por Atenção

O abdome agudo em pediatria pode ter diversas causas (apendicite, invaginação intestinal, volvo intestinal, etc.) e, em alguns casos, evoluir para sepse e choque se não tratado rapidamente.

A dor abdominal intensa e persistente, associada a outros sinais como vômitos, distensão abdominal, febre e irritabilidade, exige avaliação cirúrgica urgente.

Nossos cuidados incluem: manter a criança em jejum, monitorizar os sinais vitais, avaliar a intensidade e as características da dor, observar o abdome e preparar a criança para exames complementares e possível intervenção cirúrgica.

A Pele que Queima: Grandes Queimaduras em Crianças

As grandes queimaduras em crianças são emergências devido ao risco de choque hipovolêmico, perda de calor, infecção e comprometimento das vias aéreas (em queimaduras faciais ou por inalação de fumaça).

Nossos cuidados iniciais incluem: interromper o processo de queimadura, avaliar a extensão e a profundidade da queimadura, garantir a permeabilidade das vias aéreas, administrar oxigênio suplementar, iniciar reposição volêmica intravenosa conforme protocolo, monitorizar os sinais vitais e a diurese e manter a criança aquecida.

A Importância da Sistematização do Cuidado e da Comunicação

Em todas essas emergências pediátricas, a organização do cuidado é fundamental. A avaliação rápida e sistemática (utilizando, por exemplo, a abordagem ABCDE – Vias Aéreas, Respiração, Circulação, Incapacidade Neurológica e Exposição), a priorização das intervenções e a comunicação eficaz com a equipe médica são cruciais para otimizar o atendimento.

A nossa capacidade de trabalhar em equipe, de manter a calma sob pressão e de executar os cuidados de enfermagem de forma precisa e oportuna pode salvar vidas.

Lembrem-se, futuros profissionais de enfermagem, que a pediatria é uma área que exige estudo constante e atualização. Estar familiarizado com as principais emergências, seus sinais e sintomas e os cuidados de enfermagem específicos é um passo essencial para oferecer o melhor cuidado possível aos nossos pequenos pacientes em momentos críticos.

Referências:

  1. AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS (AAP). Pediatric Advanced Life Support (PALS) Provider Manual. [S. l.]: AAP
  2. NELSON, W. E.; BEHRMAN, R. E.; KLIEGMAN, R. M.; JENSON, H. B. Nelson Textbook of Pediatrics. [Edição mais recente]. Philadelphia: Elsevier. 
  3. WONG, D. L.; HOCKENBERRY, M. J.; LOWE, J. R.; PERRY, S. E.; DALLAS, C.; WILSON, D. Wong’s Nursing Care of Infants and Children.  St. Louis: Mosby Elsevier.

Escala de Faces Wong Baker

A Escala de Faces Wong-Baker é uma ferramenta amplamente utilizada para avaliar a intensidade da dor, especialmente em crianças e em adultos com dificuldades de comunicação. Ela consiste em uma série de faces com expressões que vão de um sorriso radiante (sem dor) a uma expressão de choro intenso (dor máxima).

Como Funciona?

A escala apresenta uma série de rostos, cada um com uma expressão facial diferente, que vai desde um rosto sorridente (indicando ausência de dor) até um rosto chorando e contorcido (indicando dor intensa). A criança é convidada a escolher o rosto que melhor representa a dor que está sentindo naquele momento.

Por que usar a Escala de Faces Wong-Baker?

  • Facilidade de uso: A escala é simples e intuitiva, sendo fácil de entender para crianças a partir dos 3 anos de idade.
  • Comunicação não verbal: Permite que crianças pequenas, que ainda não dominam a linguagem verbal, expressem a intensidade da dor.
  • Visualização da dor: A representação visual da dor facilita a compreensão da criança sobre o que está sentindo e como pode comunicar isso ao adulto.
  • Consistência na avaliação: A escala proporciona um método padronizado para avaliar a dor, permitindo comparar a intensidade da dor ao longo do tempo.

Como utilizar a escala?

  1. Explique para a criança: Use uma linguagem simples e adequada à idade da criança para explicar o que cada rosto representa.
  2. Apresente as opções: Mostre à criança todas as faces da escala, uma de cada vez, e pergunte qual delas mais se parece com o que ela está sentindo.
  3. Incentive a escolha: Deixe que a criança escolha livremente o rosto que considera mais adequado.
  4. Registre o resultado: Anote o rosto escolhido pela criança para acompanhar a evolução da dor.

Vantagens da Escala de Faces Wong-Baker

  • Versatilidade: Pode ser utilizada em diferentes contextos clínicos e para avaliar diversos tipos de dor.
  • Validade e confiabilidade: A escala possui boa validade e confiabilidade, sendo amplamente utilizada e estudada.
  • Aceitação pelas crianças: A maioria das crianças se sente confortável em utilizar a escala.

Limitações da Escala

  • Subjetividade: A avaliação da dor é subjetiva e pode variar de acordo com a interpretação da criança e do profissional de saúde.
  • Dificuldade em crianças muito pequenas: Crianças muito pequenas podem ter dificuldade em compreender o conceito de dor e em escolher um rosto.
  • Influência cultural: A expressão facial da dor pode variar entre diferentes culturas, o que pode influenciar a escolha da criança.

A Escala de Faces Wong-Baker é uma ferramenta valiosa para avaliar a dor em crianças, proporcionando uma comunicação mais eficaz entre a criança e o profissional de saúde. Ao utilizar essa escala, é possível identificar a intensidade da dor, monitorar a evolução do tratamento e tomar decisões mais adequadas para o manejo da dor pediátrica.

Observação: É importante ressaltar que a Escala de Faces Wong-Baker é apenas uma das ferramentas disponíveis para avaliar a dor em crianças. A escolha da escala mais adequada dependerá das características individuais da criança e do contexto clínico.

Referências:

  1. SILVA, A. B.; PEREIRA, C. A. C. Índice de Barthel: validação em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 18, n. 1, p. 1-8, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reeusp/a/GwvZjxCGwVyhtjDv4kWPQpc/?format=pdf.
  2. Oliveira A. M, Cunha Batalha L. M, Fernandes A. M, Castro Gonçalves J, , Viegas R. G. Uma análise funcional da Wong-Baker Faces Pain Rating Scale: linearidade, discriminabilidade e amplitude. Revista de Enfermagem Referência [Internet]. 2014;IV(3):121-130. Recuperado de: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=388239973017

Escalas utilizadas em Pediatria

Na pediatria, a avaliação precisa e completa de cada paciente é fundamental para um diagnóstico preciso e um tratamento eficaz.

As escalas desempenham um papel crucial nesse processo, fornecendo uma forma objetiva e padronizada de medir diversos aspectos do desenvolvimento e da saúde da criança. Neste post, vamos explorar as principais escalas utilizadas na pediatria atualmente, destacando sua importância e aplicabilidade.

O que são Escalas em Pediatria?

As escalas em pediatria são instrumentos de avaliação que utilizam critérios específicos para medir diferentes parâmetros, como o desenvolvimento neuropsicomotor, a dor, a gravidade de doenças e a qualidade de vida. Elas são compostas por um conjunto de itens ou perguntas que são aplicados ao paciente ou aos seus cuidadores, permitindo a obtenção de uma pontuação final que reflete o nível de desenvolvimento ou a intensidade de um determinado sintoma.

Por que as Escalas são Importantes?

  • Objetividade: As escalas fornecem uma medida objetiva e quantificável de diversos aspectos do desenvolvimento infantil, facilitando a comparação entre diferentes pacientes e a monitorização da evolução ao longo do tempo.
  • Padronização: Ao utilizar escalas padronizadas, os profissionais de saúde garantem que a avaliação seja realizada de forma consistente, minimizando a influência de fatores subjetivos.
  • Comunicação: As escalas facilitam a comunicação entre os diferentes profissionais envolvidos no cuidado da criança, permitindo uma troca de informações mais precisa e eficiente.
  • Tomada de decisão: Os resultados obtidos através das escalas auxiliam na tomada de decisões sobre a necessidade de intervenções terapêuticas e na escolha do tratamento mais adequado.

Principais Escalas Utilizadas em Pediatria

Existem diversas escalas utilizadas na pediatria, cada uma com suas especificidades e aplicações. Algumas das mais comuns incluem:

Escalas de Desenvolvimento

    • Escala de Apgar: Avalia a vitalidade do recém-nascido nos primeiros minutos de vida.
    • Escala de Denver II: Avalia o desenvolvimento motor, linguístico, social e pessoal de crianças de 0 a 6 anos.
    • Bayley Scales of Infant and Toddler Development: Avalia o desenvolvimento cognitivo, linguístico, motor e socioemocional de bebês e crianças pequenas.
    • Escala de Griffiths: Avalia o desenvolvimento global de crianças de 0 a 8 anos.
    • Escala de Gross Motor Function Measure (GMFM): Avalia a função motora grossa em diversas posições e atividades, especificamente para crianças com paralisia cerebral.
    • Escala Motora Infantil (IMS): Avalia o desenvolvimento motor em crianças de 1 a 18 meses.
    • Escala de Vineland: Avalia as habilidades adaptativas, como comunicação, vida diária, socialização e habilidades de lazer.

Escalas de Avaliação Funcional

    • Escala de Peabody: Avalia o desenvolvimento motor fino e grosso em crianças de 0 a 5 anos.
    • Escala de Bayley: Avalia o desenvolvimento cognitivo, linguístico, motor e socioemocional de bebês e crianças pequenas.
    • Escala de Hammersmith: Avalia a função manual em crianças com paralisia cerebral.

Escalas de Dor:

    • Escala Facial de Dor de Wong-Baker: Utiliza desenhos de faces com diferentes expressões para avaliar a intensidade da dor em crianças a partir dos 3 anos.
    • Escala Numérica: Utiliza uma escala de 0 a 10 para que a criança indique a intensidade da dor.
    • Escala Visual Analógica (EVA): Utiliza uma linha com âncoras verbais (nenhuma dor a dor máxima) para que a criança indique a intensidade da dor.
    • FLACC (Face, Legs, Activity, Cry, Consolability): Avalia cinco parâmetros comportamentais: expressão facial, movimentos das pernas, atividade, choro e consolabilidade.
    • CPOT (Children’s Pain Observation Tool): Avalia a dor em crianças mais novas, observando expressões faciais, choro, movimentos corporais e consolabilidade.
    • Escala de dor do Children’s Hospital of Eastern Ontario (CHEOPS): é uma escala de avaliação de dor pós-operatória; pode também ser usada para monitorar a efetividade de intervenções para redução de dor e desconforto.

Outras Escalas

    • Escala de Braden: Avalia o risco de desenvolvimento de úlceras por pressão.
    • Escala de Coma de Glasgow: Avalia o nível de consciência em crianças.
    • Escala de Ramsay: Avalia a sedação em crianças.
    • Escala Withdrawal Assessment Tool (WAT-1): é uma ferramenta de avaliação de sintomas de abstinência que pode ser utilizada em pediatria. Ela é aplicada no primeiro dia de desmame de pacientes que receberam infusões ou bolus regulares de opióides ou benzodiazepínicos por um período prolongado.
    • Escala de PEWS (pediatric early warning score): é um protocolo de pontos que avalia sinais vitais de crianças de 0 a 16 anos para identificar deterioração clínica. O objetivo é aumentar a segurança do paciente, reduzir o número de eventos graves e facilitar o acompanhamento da evolução clínica.

As escalas são ferramentas indispensáveis para a avaliação completa e precisa das crianças. Ao fornecerem informações objetivas e padronizadas sobre o desenvolvimento, a saúde e o bem-estar infantil, as escalas auxiliam os profissionais de saúde a tomar decisões mais precisas e a oferecer um cuidado mais individualizado e eficaz.

É importante ressaltar que a escolha da escala mais adequada depende da idade da criança, da queixa principal e dos objetivos da avaliação. A utilização das escalas deve ser sempre realizada por profissionais de saúde qualificados.

Referências:

  1. Amoretti, C. F., Rodrigues, G. O., Carvalho, P. R. A., & Trotta, E. de A.. (2008). Validação de escalas de sedação em crianças submetidas à ventilação mecânica internadas em uma unidade de terapia intensiva pediátrica terciária. Revista Brasileira De Terapia Intensiva, 20(4), 325–330. https://doi.org/10.1590/S0103-507X2008000400002
  2. COREN-SP
  3. SEDREZ, Elisa da Silva; MONTEIRO, Janine Kieling. Avaliação da dor em pediatria. Hospital Moinhos de Vento. Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. IIUniversidade do Vale do Rio dos Sinos. São Leopoldo, Rio Grande do Sul, Brasil, 28 out. 2019. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/reben/a/MJ7FdLTXpHbHjLYGSY3rcNx/?lang=pt&format=pdf&gt;. 

Carrinho de Emergência Pediátrico

Um carrinho de emergência pediátrico é especialmente equipado para atender às necessidades únicas de crianças e adolescentes em situações de emergência. Ele contém uma variedade de materiais e medicamentos que permitem ao profissional de saúde estabilizar o paciente e iniciar o tratamento de forma rápida e eficiente.

O que deve conter?

A composição exata de um carrinho de emergência pediátrico pode variar entre instituições, mas geralmente inclui os seguintes itens:

Medicamentos e diluentes   Quantidade 
Adenosina 6mg/2ml 03 ampolas
Água destilada 10ml 10 ampolas
Amiodarona, cloridrato 150mg/3mL 02 ampolas
Atropina, sulfato 0,25mg/1mL 05 ampolas
Bicabornato de Sódio 8,4% 250mL 04 frascos
Dexametasona, fosfato 4mg/ml 02 ampolas
Diazepan 10mg/2mL 04 ampolas
Dobutamina, cloridrato 250mg/20mL 02 ampolas
Dopamina, cloridrato 50mg/10mL 02 ampolas
Epinefrina 1mg/mL (Adrenalina) 10 ampolas
Fenitoína sódica 5% 250mg/5mL 02 ampolas
Fenobarbital sódico 200mg/2ml 02 ampolas
Fentanila, citrato 0,05mg/mL 20mL 04 frascos
Furosemida 20mg/2ml 03 ampolas
Flumazenil 0,5mg/5mL 02 ampolas
Glicose Hipertônica 25% 10mL 05 ampolas
Glicose Hipertônica 50% 10mL 05 ampolas
Gluconato de Cálcio 10% 0,5mEq/mL 10mL 02 ampolas
Hidrocortisona, succinato 100mg 02 frascos
Hidrocortisona, succinato 500mg 02 frascos
Lidocaína, cloridrato 2% sem vaso 20mg/mL 20mL 01 frasco
Lidocaína, cloridrato 2% sem vaso 20mg/mL 5mL 02 ampolas
Metilpredinisolona, succinato Sódico 125mg 02 frascos
Metilpredinisolona, succinato Sódico 500mg 01 frasco
Midazolan, cloridrato 15mg/3mL 03 ampolas
Naloxona, cloridrato 0,4mg/mL 02 ampolas
Nitroprusseto de sódio 25mg/2mL 01 ampola
Norepinefrina, hemitartarato 8mg/4mL (Noradrenalina) 02 ampolas
Prometazina, cloridrato 50mg/2mL 02 ampolas
Soro Fisiológico 0,9% 10 ml 10 frascos
Succinilcolina, cloridrato 500mg 01 frasco
Tiopental sódico 1000mg 01 frasco
          
Circulação Quantidade 
Cateter intravenoso periférico flexível (abocath®) n° 24 / 22 04 unidades cada
Cateter intravenoso periférico flexível (abocath®) n° 20 /18 / 16 / 14 02 unidades cada
Cateter intravenoso periférico rígido (Scalp) n° 19 / 21 / 25 / 27 02 unidades cada
Agulha hipodérmica descartável 13X4,5 02 unidades
Agulha hipodérmica descartável 25×7 03 unidades
Agulha hipodérmica descartável 25×8 03 unidades
Agulha hipodérmica descartável 40×12 ou 30×10 03 unidades
Equipo Macrogotas 02 unidades
Equipo Parenteral 02 unidades
Equipo Fotossensível 02 unidades
Multivias ou Torneira de 3 vias (three ways) 03 unidades
Seringa 3 mL / 5 mL / 10 mL / 20 mL / 60 mL 02 unidades cada
Eletrodo descartável infantil 01 pacote
Gel condutor 01 unidade
Vias Aéreas Quantidade
Luva estéril 6,0/ 6,5 / 7,0 / 7,5 / 8,0 / 8,5 01 par cada
Cânula Endotraqueal nº 4,0 / 4,5 sem cuff 03 unidades cada
Cânula Endotraqueal nº 5,0 / 5,5 / 6,0 / 6,5 / 7,0 com cuff 03 unidades cada
Cateter de aspiração nº 8 / 10 / 12 01 unidade cada
Guia pequeno para cânula traqueal 01 unidades
Guia grande para cânula traqueal 01 unidades
Cânula orofaríngea (Guedel)  nº 1 / 2 / 3 / 4 01 unidade cada
Máscara de reanimação nº 01 / 02 / 03 01 unidade cada
Reanimador manual (AMBU) 500 mL e 1000 mL 01 unidade cada
Cateter Oxigênio Tipo Óculos 01 unidade
Umidificador 01 unidade
Máscara de nebulização contínua 01 unidade
Materiais Complementares Quantidade 
Cateter uretral Levine  nº 8 / 10 / 12 / 14 01 unidade cada
Cateter vesical de demora nº/ 8 / 10 / 12 / 14 01 unidade cada
Coletor de urina sistema fechado 02 unidades
Coletor de urina sistema aberto 02 unidades
Cateter gástrico nº 8 / 10 / 12 / 14 / 16 01 unidade cada
Borracha de silicone 03 unidades
Soluções Quantidade 
Soro fisiológico 0,9% 250 mL 01 frasco
Soro fisiológico 0,9% 500 mL 01 frasco
Soro glicosado 10% 500 mL 01 frasco
Soro glicosado 5% 250 mL 01 frasco
Água destilada 500 mL 01 frasco
Bicarbonato de sódio 250 mL 01 frasco
Solução Ringer Lactato 500 mL 01 frasco

 

É importante ressaltar que o conteúdo do carrinho de emergência pediátrico deve ser verificado regularmente para garantir que todos os materiais estejam disponíveis, em condições adequadas de uso e com validade dentro do prazo.

Referências:

  1. EBSERH
  2. Cmos DRAKE

Medicamentos utilizados na Pediatria

A importância do conhecimento dos medicamentos em pediatria é fundamental para garantir a segurança e eficácia no tratamento de doenças em crianças.

Devido às diferenças fisiológicas entre crianças e adultos, a farmacocinética e farmacodinâmica dos medicamentos variam significativamente, o que exige um entendimento aprofundado para evitar erros de medicação e toxicidade.

Principais Medicamentos Utilizados em Pediatria

  1. Acetaminofeno (Paracetamol): Amplamente usado como antipirético e analgésico.
  2. Amoxicilina: Antibiótico comum para infecções bacterianas.
  3. Ibuprofeno: Anti-inflamatório não esteroide para febre e dor.
  4. Dipirona: Analgésico e antipirético.
  5. Albendazol: Antiparasitário para tratar infecções por vermes.
  6. Salbutamol (Albuterol): Broncodilatador para asma e outras condições respiratórias.
  7. Prednisolona: Corticosteroide para tratar inflamações e alergias.

A dosagem e administração desses medicamentos devem ser cuidadosamente calculadas com base no peso e idade da criança, e sempre sob orientação médica.

Além disso, é essencial que os profissionais de saúde estejam atualizados sobre as recomendações e estratégias para o uso racional de medicamentos em crianças, a fim de ampliar a oferta, o acesso e garantir a segurança no uso desses medicamentos.

Conclusão

O conhecimento aprofundado sobre os medicamentos pediátricos é crucial para a prática médica segura e eficaz. A educação contínua e a conscientização sobre a farmacoterapia pediátrica são essenciais para todos os profissionais de saúde envolvidos no cuidado de crianças.

Referências:

  1. https://rsc.revistas.ufcg.edu.br/index.php/rsc/article/download/468/422/1002
  2. Novapediatria
  3. Ministério da Saúde
Notícias da Enfermagem

Escola de Enfermagem recebe doações de materiais para brincadeiras de pediatria hospitalar

A Escola de Enfermagem está recebendo doações de materiais para brincadeiras de pediatria para o Hospital Municipal Odilon Behrens. Brinquedos laváveis e artigos diversos de papelaria novos ou usados podem ser entregues até 13 de outubro, na caixa instalada no hall de entrada da Unidade (Avenida Professor Alfredo Balena, 190, campus Saúde). A iniciativa é do projeto extensivo Brincar […]

Escala de Humpty Dumpty

A escala de Humpty Dumpty é uma ferramenta de avaliação de risco de queda pediátrico.

Os itens que compõem essa escala são: idade, gênero, diagnóstico, deterioração cognitiva, ambiente, sedação anestésica e medicação com a pontuação indicada de acordo com as respostas de cada item.

O que é o “Humpty Dumpty”?

Humpty Dumpty é uma personagem de uma rima enigmática infantil, melhor conhecida no mundo anglófono pela versão de Mamãe Gansa na Inglaterra.

E a escala Humpty Dumpty Fall (HDFS) foi introduzida para avaliar o risco de quedas em pacientes pediátricos internados para dar mais atenção à questão e introduzir medidas preventivas.

O primeiro passo foi treinar os enfermeiros da equipe sobre o uso da avaliação do HDFS e a importância de realizá-la como uma etapa vital para evitar que seu paciente caia.

O HDFS foi distribuído e carregado como um documento de software em todos os computadores de cada unidade do departamento pediátrico de um hospital. Os enfermeiros da equipe foram solicitados a realizar essa avaliação como parte do procedimento de admissão do paciente, sendo solicitados a reavaliá-los quando houver alguma alteração em seu estado de saúde.

Os enfermeiros foram solicitados a documentar o nível de risco obtido na avaliação e registrá-lo nas anotações de enfermagem. As crianças com alto risco de quedas foram identificadas por uma foto “Humpty Dumpty” em seu leito hospitalar e em seus prontuários. Os enfermeiros da equipe são então obrigados a seguir todas as medidas de proteção mencionadas no protocolo de queda durante toda a internação do paciente no hospital.

As táticas utilizadas para estimular o cumprimento desse novo sistema incluíam apelos inspiradores e persuasão racional, guiados pelo modelo de desenvolvimento organizacional do Health Service Executive.

A adesão da equipe foi alta e uma auditoria da ferramenta mostrou uma redução no número de quedas no departamento de pediatria.

Como funciona?

Na Escala Humpty-Dumpty adaptada, são atribuídos pontos a parâmetros pré-definidos e o somatório desses pontos definirão o risco de queda.

Critérios de avaliação: a soma das pontuações atribuídas a cada um dos 7 (sete) parâmetros (mínima 7 e máxima 22) definirá o grau de risco de queda da criança, de acordo com a Escala Humpty-Dumpty.

A criança será classificada com alto risco de queda ou baixo risco de queda:

  • Baixo risco de queda: de 7 a 11 pontos na escala Humpty-Dumpty;
  • Alto risco de queda: de 12 a 22 pontos na escala Humpty-Dumpty

Dessa forma, crianças com menos de 3 anos têm pontuação mais alta do que aquelas com mais de 13 anos de idade; meninos pontuam mais do que meninas; bem como crianças com diagnósticos neurológicos, histórico de queda e utilizando dois ou mais medicamentos da classe dos sedativos, antidepressivos, laxantes, entre outros também somam mais pontos.

Após a somatória, pacientes que computam de 7 a 11 pontos são classificados com baixo risco de queda e aqueles com pontuação entre 12 e 22 com alto risco de queda.

Tabela

Cuidados de Enfermagem e as Medidas Preventivas

  • Criação de um ambiente de cuidado seguro conforme legislação vigente: pisos antiderrapantes, mobiliário e iluminação adequada, corredores livres de obstáculos
    (por exemplo, equipamentos, materiais e entulhos);
  • Orientação e supervisão do uso de vestuário e calçados adequados;
  • Movimentação segura dos pacientes;
  • Adequação das acomodações e do mobiliário à faixa etária, aos pacientes pediátricos;
  • Orientações aos pacientes e familiares sobre o risco de queda e de dano por queda, e também sobre como prevenir sua ocorrência.

Referências:

  1. Protocolo Prgvenção de Quedas. Ministério da saúde/Anvisa/Fiocruz. Protocolo integrante do Programa Nacional de Segurança do Paciente.
  2.  Dykes PC, Carroll DL, Hurley A, Lipsitz S, Benoit A, Chang F, et al. Fall prevention in acute care hospitals: a randomized trial. IAMA 2010; 304(77):1912-B
  3. Oliver D, Healey F, Haines TP. Preventing falls and fall-related injuries in hospitals Clin Geriatr Med 2OIO; 26(4):645-92.
  4. Cooper CL, Nolt lD, Development of an evidence-based pediatric fall prevention program. J Nurs Care Qual 2OO7i 22(2):tO7-72.
  5. Hospital Israelita Albert Einstein – HIAE (São Paulo), Protocolos, Guias e Manuais voltados à Segurança do Paciente. 2012.
  6. Boushon B, Nielsen G, Quigley P, Rutherford P, Taylor J, Shannon D, Rita S, How-to Guide: Reducing Patient Injuries from Falls. Cambridge, MA: Institute for Healthcare
    Improvement¡ 2012. Disponível em:www,ihi.org.
  7. Miake-Lye IM, Hempel S, Ganz DA, Shekelle PG, Inpatient fall prevention programs as a patient safety strategy: a systematic review, Ann Intern Med 2013; 158:390-6. B. correa AD, Marques IAB, Martinez MC, santesso PL, Leão ER, chimentão DMN, Implantação de um protocolo para gerenciamento de quedas em hospital: resultados de quatro anos de seguimento. Rev Esc Enferm [periódico na internet].201246(I):67-74. Disponível em: http://www.scielo,brlpdf/reeusp/v46nI/v46n1a09.pdf 

Terapia de Reidratação Oral (TRO)

terapia de reidratação oral (TRO) é um tipo de reposição fluida usado para prevenir e tratar desidratação, especialmente devido à diarreia.

Envolve beber água com quantidades modestas de açúcar e sais, especificamente [sódio] e potássio. A terapia de reidratação oral também pode ser dada por sonda nasogástrica.

Reposição de água e eletrólitos por via oral, para crianças ou adultos em situações de perdas de grandes volumes de líquidos em curto espaço de tempo realizado em serviços de saúde e no ambiente domiciliar.

A reidratação oral é um passo muito importante no tratamento dos vômitos e da diarreia, já que evita a desidratação, que pode ter consequências graves para o organismo.

Importância

Diminui a mortalidade de crianças por distúrbios eletrolíticos (60% das crianças morrem por desidratação), sendo mais acessível que a Reidratação EV, possui menos riscos e é mais barata.

Objetivo

Tem por objetivo corrigir o desequilíbrio hidroeletrolítico pela reidratação, manter e recuperar o estado nutricional. Essa terapêutica é feita com os sais de reidratação, (SRO) que são distribuídos pela OMS ou os fabricados pela indústria farmacêutica.

Vantagens

  • Mais segura;
  • Menos dolorosa;
  • Mais eficaz;
  • De fácil aplicação;
  • Menor custo;
  • Favorece realimentação precoce.

Referências:

  1. CARMO LF ET AL.. Concentração de sódio e glicose em soro de reidratação oral preparado por Agentes Comunitários de Saúde. 2010. Disponível em: < https://www.scielo.br/pdf/csc/v17n2/a17v17n2.pdf >;
  2. SENA, Lauro Virgílio. Avaliação do conhecimento de mães sobre terapia de reidratação oral e concentração de sódio em soluções sal-açúcar de preparo domiciliar. Jornal de Pediatria . Vol.77. 6.ed; 2001